Em relação à pecuária são desenvolvidas ações para reduzir a criação de animais de produção com argumentos como a compra de animais dos chamados indiretos de áreas desmatadas com o uso de uma estratégia promovendo a contratação de profissionais caríssimos e criação de departamentos especializados para acompanhamento das compras de através de satélites que aumentam enormemente os custos – a rastreabilidade. Completando o ciclo a acusação que o processo ruminal bovino gera gases de efeito estufa. Finalmente há um movimento destinado a desvirtuar o objetivo das GTAs.
As ações contra as proteínas animais sob falsos argumentos de que prejudicam a saúde humana. A ignorância, desinformação e má fé comandam esse processo. Não sei quantas vezes terei que contar a história da alimentação que sustentou e promoveu a evolução humana. O advento da Agricultura é bastante recente na nossa história, há apenas 10 mil anos. Os estudos arqueológicos tem demonstrado que os primeiros sinais da existência dos humanos no planeta datam de 400 mil anos e que sobreviveram alimentando-se de proteínas de animais caçados ou restos deixados por outros animais e, naturalmente, da coleta de vegetais, grãos, frutas, castanhas e etc.
Bem estar animal, as ações nesta área ultrapassam os limites do razoável, inclusive, criando um paradoxo uma vez que em nosso país tais ações são mais exigentes, contrariando frontalmente as normas recomendadas pela OIE, do que as voltadas para o bem estar humano. É de uma estupidez sem limites achar que os pecuaristas, frigoríficos e exportadores de gado bovino, juntamente com os criadores e abatedouros de suínos e frangos, não iriam cuidar dos animais de produção que são a razão de ser e o patrimônio dos seus negócios. Os ativistas incentivam normas tão rígidas e em total desacordo com o bom senso com a única finalidade de reduzir a criação e abates dos animais, simplesmente descartando o fato de que o Brasil é referência neste assunto.
Na área da Agricultura atacando todas as culturas que se sobressaem na produção, os ataques envolvem os defensivos agrícolas de modo geral esquecendo propositalmente que tais produtos é que ensejaram o crescimento da Agricultura em todo o mundo e completam com ataques à transgenia, olvidando mais uma vez que os alimentos transgênicos são aqueles produzidos por meio de um processo de modificação genética, que visa melhorar a qualidade da safra, aumentar a produção e a resistência às pragas em um planeta que sofre de fome crônica.
Já os ataques aos alimentos processados são mais sofisticados. Novamente o esquecimento de que o processamento foi desenvolvido com a finalidade de dar sobrevida aos alimentos mantendo a aparência e o sabor. No bojo dessa campanha há o ataque direto ao sal, gorduras e açúcar. Mais uma vez a história da alimentação humana foi esquecida. O sal tem sido utilizado há milhares de anos para conservar as carnes, notadamente na época do nomadismo até a invenção da geladeira. As gorduras são essenciais ao organismo humano. A vida depende do açúcar e é um dos elementos necessários para a formação do DNA. Agora um pouco de biologia, o DNA é um ácido nucleico, como o próprio nome diz. É formado por partes menores, chamadas de nucleotídeos. Para a composição de um nucleotídeo são necessárias três coisas: um fosfato, uma base e um açúcar.
Chegamos ao desmatamento. Este assunto envolve a proteção do meio ambiente. Mais uma vez o esquecimento proposital de que o Brasil tem a legislação ambiental mais extremada do mundo, que os países que financiam os ambientalistas jamais teriam condições de cumprir, representada pelo Código Florestal. Os ambientalistas para justificar suas ações põem no mesmo saco o desmatamento ilegal e o autorizado pelo Código Florestal com a finalidade de fazer números enormes e escandalizar o mundo. Sem qualquer pejo se apropriam dos números de desmatamentos ilegais, que percentualmente não são tão representativos, os somam com os dos legais para poder generalizar e acusar os brasileiros de desmatadores.
Uma vez mais os ambientalistas escondem que o Brasil há quase dois séculos se preocupa com a preservação da natureza, a primeira lei nesse sentido foi promulgada ainda no tempo do Império, ou seja, muito antes que os países que se auto intitulam de campeões da preservação ambiental se preocupassem com o assunto. Em relação aos incêndios florestais repito o que já disse em outro artigo – enquanto o planeta “arde em chamas”, somente os incêndios no Brasil foram provocados por brasileiros.
Citei a Amazônia, o Cerrado e o Pantanal sob ataque por um motivo muito simples, as três regiões com o advento da revolução da Agricultura Tropical se tornaram territórios imensos para a produção rural capazes de alimentar boa parte do planeta por, pelo menos, três séculos.
Será, meu caro leitor, que depois de tudo você ainda acha que a guerra contra os alimentos ocorre em razão da qualidade?
A tese de que o alerta da ONU informando que em 2050 seriamos 10 bilhões de habitantes era uma novidade, é falsa. Desde 1798 quando Thomas Robert Malthus publicou “An Essay on the Principle of Population” o mundo está ciente do crescimento populacional. A obra expõe suas ideias e preocupações acerca de tal crescimento. Malthus alertava que a população crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos crescia em progressão aritmética. No limite, isso acarretaria uma drástica escassez de alimentos e, como consequência, a fome. Portanto, inevitavelmente o crescimento populacional deveria ser controlado.
A mensagem de Malthus foi muito clara e inteligível. O mundo partiu para o controle da natalidade e de repente alguns países reagiram começando a produzir mais alimentos, principalmente, o Brasil que com auxílio da ciência e da tecnologia promoveu a Agricultura Tropical e assumiu o compromisso de aumentar a produção Agropecuária em 40% até 2050. O que não consigo entender, diante da dura realidade, é a guerra contra a produção promovida pelo “velho mundo” usando ONGs ambientalistas.
O que me vem à mente é o relatório apresentado em um congresso trabalhista na França, no século XIX, por um dos líderes do movimento anarquista francês, Émile Pouget, pregando a desaceleração do trabalho como arma e usou como imagem um homem usando sapatos de madeira que eram conhecidos como “sabots”. Justamente desse relatório que saiu o termo “sabotagem”.