Eu sou um cara, aquele que em matéria de rádio pode ser chamado de “macaco de rádio”, termo que define muito bem aquela pessoa que gosta tanto de ouvir rádio, que fica pulando de sintonia o tempo todo, modulando e interagindo solitariamente com as principais emissoras do Amapá e do Brasil. Eu sou apaixonado pelo rádio: acredito que o rádio é a TV com imaginação – por isso, nunca vai morrer!
Faltando pouco mais de três meses para o pleito eleitoral de 2020, esta semana, ouvindo algumas emissoras de rádio do estado do Amapá, me deparei com a curiosa e recrudescente discussão sobre “direita-esquerda”. Confesso que fiquei intrigado com o que ouvi! As pessoas me perguntam, como eu posso identificar quem é de direita e quem é de esquerda?
Eu penso que “esquerda-direita” é um conceito geral de enquadramento de ideologias e partidos políticos. São muitas vezes apresentados como opostos, embora uma pessoa ou grupo em particular possa eventualmente assumir uma posição mais à “esquerda” numa determinada ocasião e uma postura de “direita” e até de “extrema-direita” noutras oportunidades.
Os termos “esquerda” e “direita” no Amapá, ao meu ver, podem perfeitamente ser substituídos por “oposição” e “situação”, pois historicamente, o que temos visto aqui, é o embate entre quem está fora do governo, contra quem está no comando das gestões em todos os níveis.
Dentro de um processo democrático, através do voto, quem ganha a eleição é o escolhido para governar e quem perde, para fazer oposição. É assim que na prática funciona! O resto, o resto é retórica de quem alimenta a ideologia que sustenta a fuga da realidade.
O partido pode ser de “esquerda” ou “direita”, mas na realidade, depois que conquista o poder, passa a carregar o estereótipo de “situação”; e aqueles que se colocam contra a gestão vigente são chamados de “oposição” .
Nas eleições de 2018, o Brasil assistiu a uma onda de debates agressivos, especialmente nas redes sociais, que se dividiam em dois lados: os de “esquerda” e os de “direita”, associados a maioria dos partidos políticos, promovendo um confronto insano de ideias radicais, ultrapassando o campo do debate democrático, quando foi possível observar o comportamento maniqueísta de militantes treinados para a subversão da ordem, como mecanismo de imposição de suas ideias.
Algumas pessoas ainda não perceberam que a classificação esquerda e direita perdeu o seu significado no mundo moderno, sendo cada vez menos relevante na vida pública. A democracia é a convivência dos contrários: o fato de você estar certo não significa que eu estou errado – seis para você, pode ser nove para mim – depende do ponto de vista. Os dois podem estar certos!
O fato é que não existe um consenso quanto a uma definição exata e única de “esquerda-direita”. Definir um posicionamento político apenas pelo viés partidário pode ser uma armadilha repleta de clichês, já que essa divisão não reflete a complexidade e contradições da sociedade.
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.