Há alguns anos, poucos, comentei chamada de capa em revista de circulação nacional que nos trouxe: “Acelera, Fachin”, o que levou-me a dizer: tudo bem nada a opor, se o Brasil fosse um grande e divertido autódromo. Também tudo bem, não fora o tal Fachin um Ministro da mais alta corte brasileira, não nos sendo possível tê-lo como companheiro no Tribunal reproduzindo folguedos de arquibancada para torcidas. Mais bem ainda estariam as coisas, se a imprensa como um todo se limitasse a noticiar, até mesmo denunciar publicamente o mau, sem, entretanto, participar de ritos processuais ou inferir se em precipitados julgamentos, deixando tais responsabilidades e deveres exclusivos àqueles, cuja missão é fazer cumprir a lei com JUSTIÇA…
No período que atravessamos, se não novidade, nos é incomum este novo e estranho comportamento “político jurídico”, onde togados têm se imiscuído em questões administrativas, criando leis em teatros de interpretações, ingerindo em atividades da sociedade, controlando atos de governo e programas de gerenciamentos. Ultimamente assumiram de vez o lado perigoso da participação política, o que lhes tira toda isenção e equilíbrio ao exercício de seus encargos e funções.
Como agravante, contrariados, contrários discordantes, e até acusados em risco de prisão, permutam com eles, atenuantes e regalias, por trair, delatar aos que os confrontam, sendo lhes permitido transformar suas palavras em poços de poder e verdades, quando na verdade apenas se valoriza canalhice e mau caráter. Tal conluio, acaba por constituir uma tragédia anunciada de atropelos e dificuldades à verdadeira aplicação da justiça.
Em dias de hoje meio a tantas denúncias, suspeitos ou mesmo safados, o que compromete políticos sérios e com bons propósitos, têm que se levar em conta que quase todos em maioria, possuem mandatos eletivos, com poderes conferidos pela sociedade, o que não é bem o caso do selecionado da mais alta Corte. Portanto, deveriam cuidar para que condutas e exemplos desonrosos não viessem a contaminar ou abalar os mais sagrados pilares do país; principalmente aqueles nos quais o cidadão ancora todos os seus direitos e quiçá a própria vida.
Buscam ainda como agora visto e percebido, por se notar a irresponsável e apressada divulgação de seus mandados não só simpatias, mas apoio de galera, numa tentativa de buscar razões e reconhecimento de imensa plateia. Quanto a este buscar, a revolução francesa nos deu belo exemplo, quando condenados políticos despejados do poder que existia, eram decapitados, e com o sangue jorrando levava a massa ao delírio, até que para ali também foram aqueles que antes os enviaram. E que se diga, a vibração da turba para eles foi a mesma dos espetáculos anteriores, um procedimento inerente à humanidade. Esquecidos estão dos maravilhosos ditos do passado em idos da história, em que o imperador romano Teodósio quando vitorioso e vencida as dificuldades pelas quais fora denegrido, já afirmava: “O povo nem sempre é o melhor juiz de seus líderes“. Mas, tão diferentes de tantas outras nações, nossos ministros supremos adoram palcos e câmaras televisivas, abusando da opinião pública e de seus clamores em parcialidades políticas (direitos seus diga se). Em resposta a ordem e a lei se tornam solitárias e desprezadas à estrutura e organização da Nação que pasma, fica a aguardar melhores tempos ou homens.
Vaidades assumiram postos de relevância nas condutas de nossos mais preciosos guardiões da ordem e em todos os níveis. Aplausos, fama, atrações e ambições se tornaram mais importantes que o bom cumprimento de obrigações, o que seria empenho de qualquer um, ficando exposta uma insana bagunça jamais vista em solo pátrio. Em nossos órgãos de controles se tornou claro tão nefasto alheamento, mesmo todos pressentindo que pouco demora a que a anarquia ou um imperativo assuma o país. Preocupante… pois até da própria e barulhenta juventude em Ministério Público, tão essencial a justiça, nem uma palavra, ocupados que estão a lidar com algumas visões distorcidas em noutros setores, por inexperiências e necessária cultura ou conhecimento aos assuntos envolvidos.
Valores, referencias e até patrimônios roubados se tornam bem mínimos, quando próximo a estes desarranjos proporcionados a nossas organizações e a moralidade nacional. Têm se perdido prudência, ponderação e serenidade até para funcionamento dos poderes, aos quais o respeito tem sido abandonado, deixando apenas a temeridade e ousadia por companheira.
Resta ainda alguma imprensa imparcial e honesta, onde vez por outra me intrometo tentando ajudar, é pouco, mas, faço minha parte…
Impressiona parecer estarmos em estado de choque, com medo, ou em infindável guerra assumida.
José Altino
Crônicas – Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas
GUERRA SEM FIM
