em reverência a ti e ao universo.
Entregar-te pérolas colhidas nos mares diversos
por onde velejei com luzes e ventania,
nem sempre ao sol do meio-dia,
muitas vezes na escura noite fria
ou na solidão das madrugadas vazias.
Talvez seja um déjà-vu
e eu não saiba onde estou…
Talvez em lugar algum ou em todos os templos.
Eu ouvi sons e eram rangidos, outros leves sustenidos…
No bailado das árvores sibilantes,
o vento atemporal violinista reverbera sobre a hera
e sacode folhas nos caminhos e bosques,
cobrindo-os com tons e semitons em um ímpeto maestrino.
Oh, cigano, meu trovador de além-mar…
Ouço canções tamborilando no ar, será o vento ou
são martelos, bigornas e violoncelos em atos alucinantes,
gestos flamejantes do “Coro dos Ferreiros” em praça pública?
Na pública via ou praça, oh, desgraça!
Onde crianças jogam bola com estômagos vazios
e pés descalços sugados pelo furacão da miséria, do desemprego e
do desalento, onde o coro da compra de votos impera
e reverbera em lamentos de chibata…
Sandra Regina Klippe