Juberlândio Diniz, de 36 anos, preso pela morte de Roger André Soares da Silva, de 29 anos, disse em depoimento à polícia que desenhou cruzes na parede com o sangue da vítima. A ação foi feita como “forma de punição” por Roger André ser homossexual.
O suspeito foi preso em São Paulo (SP), e confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa por ter supostamente sido encurralado pela vítima. Ele está preso no presídio de Icem, próximo à cidade onde foi localizado, em uma pousada de Urupês (SP). Não há data para a transferência dele para Mato Grosso.
O homem foi indiciado pelo homicídio com três qualificadoras: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Segundo o delegado, o homem disse que Roger foi morto após uma discussão pela vítima ser gay.
Ele disse que a vítima se ofereceu para fazer sexo oral nele. Contou que no dia do crime ele bebia no bar, onde conheceu a vítima. Eles conversaram e o Roger ofereceu uma carona de moto. Como estava embriagado, ele aceitou a carona”, conta.
Conforme o depoimento, foram para casa onde continuaram bebendo. E, em determinado momento, Roger teria feito o convite. “Houve uma luta corporal e ele sacou o canivete”, disse. o suspeito nega ter posicionado o corpo em cruz. Disse que Roger ficou da maneira que caiu. “Isso contradiz o inquérito da DHPP de Cuiabá, onde ficou demonstrado que ele ornamentou a posição dos braços e pés, que Roger foi realmente colocado em uma cruz”, frisou.
O delegado detalha ainda que o suspeito disse que as três cruzes desenhadas com sangue não estavam ligadas às mortes a ele atribuídas, que são três no total. Sendo duas delas na Paraíba e uma em Cuiabá.
“Ele disse que fez aquilo pelo fato da vítima ser homossexual. Entendia, na visão dele, que se diz uma pessoa religiosa, que estava repreendendo, punindo a vítima e por isso desenhou as cruzes”. Mesmo negando ter qualquer tipo de relação com a vítima, o inquérito diz o contrário.
O caso
O corpo de Roger foi encontrado dentro de uma residência na região Sul da de Cuiabá. O corpo apresentava perfurações provocadas por arma branca e na sala da casa os investigadores e peritos encontraram diversas manchas de sangue espalhadas no chão e paredes, indicando um cenário de filme de terror.
A Polícia Civil apurou ainda que o autor do crime já teria trabalhado em 2016 para o dono do imóvel onde ocorreu o crime. Ele reapareceu, muito tempo depois, procurando trabalho e um local para morar e contou ter tido problemas com a justiça na Paraíba, mas que já teria cumprido parte da pena.
O dono do imóvel declarou à Polícia Civil que o suspeito teria trabalhado com ele em 2021, mas que nunca apresentou um documento de identificação e tinha um comportamento reservado e sem amizades.
Os policiais identificaram que em 22 de abril o investigado esteve no terminal rodoviário do Coxipó, sendo posteriormente reconhecido por fotografia por um funcionário da empresa prestadora de serviço do local.

