Um filme caseiro que combina a tensão do isolamento social à presença de uma entidade sobrenatural maligna e surpreende muito pela qualidade, apesar de se diferenciar da onda ‘’pós-terror’’ que vem tomando conta do cinema.
Com direção independente do britânico Rob Savage, a história segue um grupo de amigos que, durante o isolamento social, decide contratar uma médium para fazer uma sessão espírita por vídeo chamada. Tudo parecia estar sob controle, até que uma entidade demoníaca se manifestou na casa de cada um, e iniciou um jogo psicológico medonho. A parte mais assustadora é o realismo intenso que o filme transmite, com uma estética semelhante ao famoso ‘’Atividade Paranormal’’ (Oren Peli), fazendo parecer que o espectador está assistindo a uma gravação real e que, mesmo com apenas 55 minutos de filme, a experiência de terror seja intensa e genuína.
A aparente simplicidade cinematográfica, de roteiro e gravação (já que o filme foi inteiramente gravado pelo Zoom) não diz absolutamente nada sobre o filme, que se supera em todos os sentidos. As atuações são fortes e verossímeis, os efeitos especiais são incrivelmente bem feitos e se combinam na criação de um ambiente hostil e demoníaco plausível, trazendo a ansiedade preexistente no isolamento social e transformando em puro medo.
‘’Host’’ supera muitos dos terrores atuais, utilizando uma fórmula relativamente simples e cumpre de maneira magistral seu papel de infligir medo.
Eu Me Importo (Netflix)
Em ‘’Garota Exemplar’’ (David Fincher), vimos o melhor de Rosamund Pike na pele da inescrupulosa Amy Dunne, um papel brilhante e visceral. No mais novo longa de J Blakeson (A 5 Onda), Rosamund consegue, novamente, brilhar no papel de uma vilã icônica, calculista, mordaz e antiética.
Em ‘’Eu Me Importo’’, Marla Grayson (Rosamund Pike) é uma curadora que aplica golpes em seus clientes idosos e faz fortuna a partir deles, quando ela descobre uma idosa que parece ser a galinha dos ovos de ouro, chama a atenção de um mafioso para si, podendo colocar todo o seu esquema em risco.
Começando com um discurso imoral de que através do trabalho, ninguém consegue subir na vida, o filme satiriza constantemente o ideal do ‘’sonho americano’’, e entrega uma história onde a corrupção é velada e agressiva, mostrando que toda e qualquer esfera social está sujeita à corruptela.
Cheia de cores, ironia, humor ácido e desvirtuação a história entrega uma vilã transcendental e extremamente contemporânea, que considera passar por cima de qualquer pessoa algo inerente à ascensão social. Se desvinculando da dicotomia entre o bem e o mal, o roteiro é ousado e magnético.
Longe de ser um filme moroso e desinteressante, ‘’Eu Me Importo’’ brilha com atuações marcantes e um roteiro espirituosamente áspero.