Naturalmente não se pode negar que o planeta vem sofrendo alterações climáticas, muitas vezes radicais, ao acompanhar o ‘sistema solar’ na sua caminhada pela ‘Via Láctea’. A grande mídia mundial, com o atual sistema de comunicações global, vem noticiando com bastante ênfase todas as alterações que sabemos em poucos minutos, no passado tal conhecimento nos chegavam com dias ou meses de distância. Paralelamente com o crescimento acelerado do nosso agro as regiões atingidas sofreram perdas na produção em virtude do clima. No passado essa percepção era mais difícil porquanto a nossa produção não se comparava ao que ocorre hoje no setor.
Como não sou especialista ou cientista do clima me louvo em informações que colho diariamente na busca de maior conhecimento do que ocorre no planeta à minha volta. Este artigo e seu título nasceram de uma matéria assinada por Carlos Serrano da BBC News Mundo, em 25/04/2022, reproduzida pelo UOL sob o título “Grande Inconformidade: o período de até 1 bilhão de anos sem registros geológicos na Terra”, que transcrevo alguns trechos para reflexão dos leitores:
“Um bilhão de anos é quase um quarto da história da Terra, é muita informação perdida, muito tempo perdido”, diz a geóloga Barra Peak, doutoranda em Ciências Geológicas pela Universidade do Colorado Boulder e especialista na Grande Inconformidade, à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC. Em um artigo de 2020, um grupo de pesquisadores daquela universidade descreveu a Grande Inconformidade como “amnésia geológica
A que se deve a Grande Inconformidade, que pistas existem sobre esse tempo perdido e por que é importante resolver o mistério? Camadas sobre camadas Na geologia, a passagem do tempo é registrada nas camadas de rocha e sedimento que se depositam umas sobre as outras. As camadas inferiores são as mais antigas e as que se acumulam no topo são cada vez mais recentes. O tipo de rocha e a localização de cada camada fornecem aos pesquisadores informações sobre como e quando essa região do solo se formou.
O geólogo John Wesley Powell, em 1869, foi quem primeiro notou que havia um pedaço de tempo que não estava escrito naquele livro de pedras. Uma lacuna no solo “Inconformidades” nas camadas do solo ocorrem quando rochas ou sedimentos erodem e o tempo passa antes que uma nova camada seja produzida, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). Após esse período, em algum momento, uma nova camada de rochas se formará na superfície erodida, mas será impossível preencher essa lacuna durante a qual nenhum sedimento foi acumulado.
A que se deve a Grande Inconformidade? A resposta é que ninguém sabe. Peak, no entanto, diz que há pelo menos quatro hipóteses principais que tentam explicar essa era perdida. A primeira tem a ver com a formação de um antigo supercontinente chamado Rodínia, que se formou entre 1 bilhão e 800 milhões de anos atrás. Isso foi antes da formação do famoso supercontinente Pangeia. Quando Rodínia estava sendo formada, devido aos movimentos tectônicos, um grande número de rochas foi exposto às condições atmosféricas, o que poderia favorecer a destruição do novo material rochoso que estava se formando. A segunda refere-se a um processo muito semelhante: a formação de outro supercontinente chamado Panótia, há cerca de 580 milhões de anos.
Uma terceira explicação possível também tem a ver com Rodínia, mas não com a formação desse supercontinente e sim com sua fragmentação, que ocorreu há cerca de 750 milhões de anos. E Peak menciona um quarto possível motivo, que não tem mais a ver com supercontinentes, mas com as mudanças climáticas ao longo da história do planeta. A geóloga explica haver evidências de que durante um período dentro do que corresponde à chamada inconformidade houve uma fase de resfriamento da Terra, há cerca de 700 milhões de anos. Nesse período, é provável que quase todo o planeta estivesse coberto por geleiras. Assim, a hipótese é que esse gelo tenha removido o que eram então as camadas mais externas. “Se todo o globo estiver coberto de gelo, não há muito material sendo depositado para formar novas rochas”, diz Peak.
Um artigo da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara de 2020 sobre a Grande Inconformidade menciona que esse fenômeno está ligado a outro grande enigma da ciência: o súbito surgimento de vida complexa nos períodos Ediacarano (entre 635 milhões de anos e 541 milhões de anos atrás) e o Cambriano (entre 541 milhões de anos e 485 milhões de anos). “A explosão cambriana foi o dilema de Darwin”, diz Francis Macdonald, geólogo da UC Santa Barbara. “Esta é uma questão que tem 200 anos. Se conseguirmos resolvê-la, seremos rockstars”, brinca.
O artigo deixa muito claro o desconhecimento científico sobre o passado do nosso planeta em todas as áreas do conhecimento, assim todas as previsões sobre o futuro tornam-se meras especulações. Como prever o futuro do clima quando as únicas alterações climáticas estudadas não ultrapassam dois séculos em um cenário estabelecido pelo artigo em um bilhõe de anos? Como se pode prever os percalços que o nosso sistema solar enfrentará no seu caminhar na via láctea quando sequer conhecemos a rota e as suas peculiaridades?
É muito assustador perceber que a ciência sequer pode prever com exatidão qual o próximo vulcão entrará em erupção, quando ocorrerão as próximas tempestades solares e suas consequências, os superciclones, os el nino e la nino, a próxima superseca planetária e assim por diante. Uma coisa é certa o que não falta aos cientistas do ‘braço climático da ONU’ é atrevimento, criatividade e pretensão.