O líder chavista Nicolás Maduro, e a esposa, Cilia Flores, enfrentaram, nesta quinta-feira (26/2), mais uma audiência em um tribunal federal de Nova York, em meio a um processo que amplia a tensão entre Caracas e Washington.
Detidos desde janeiro após uma operação dos Estados Unidos, os dois são acusados de envolvimento com narcoterrorismo e outros crimes.
Segundo a imprensa internacional, durante a sessão, a defesa tentou convencer o juiz a arquivar o caso, alegando que o governo norte-americano estaria interferindo diretamente na capacidade dos réus de se defenderem.
O principal argumento gira em torno das sanções impostas à Venezuela, que impedem o uso de recursos do país para custear os honorários advocatícios.
Defesa diz que Venezuela deve arcar com custos
Maduro e Flores acompanharam a audiência com fones de ouvido para tradução simultânea e fizeram anotações ao longo do processo. A estratégia da defesa foi reforçar que ambos não possuem recursos próprios suficientes e que, por isso, o governo venezuelano deveria arcar com os custos jurídicos.
Do outro lado, promotores federais acusaram que permitir o acesso a esses fundos violaria as sanções em vigor e reforçou a narrativa de que o casal teria se beneficiado de recursos públicos venezuelanos.
Segundo a promotoria, os réus teriam “saqueado as riquezas” do país, argumento usado para tentar barrar qualquer flexibilização financeira.
O caso é conduzido pelo juiz federal Alvin Hellerstein, que demonstrou ceticismo em relação a alguns pontos apresentados pelos promotores.
Durante a audiência, ele questionou se as sanções deveriam ser utilizadas como instrumento para limitar o direito de defesa dos acusados e também pressionou por esclarecimentos sobre a existência de outras fontes de recursos disponíveis.
“O réu está aqui. Flores está aqui. Eles não representam nenhuma ameaça adicional à segurança nacional. Eu não vejo isso”, declarou Hellerstein.
Apesar das críticas, o magistrado indicou que não pretende arquivar o processo atualmente. Ele deve decidir em breve se permitirá que o governo venezuelano financie a defesa de Maduro e Flores.
Fora do tribunal, Donald Trump comentou a situação do líder chavista afirmando que novas ações judiciais podem ser abertas contra o líder venezuelano, sugerindo que as acusações atuais representam apenas parte das investigações em curso.
“Imagino que haverá outros julgamentos, porque eles o processaram por uma fração das coisas que ele fez”, disse Trump. “Outros casos serão apresentados, como vocês provavelmente sabem.”
Fonte: Metrópoles

