O chefe do Departamento de Guerra dos Estados Unidos deu uma entrevista coletiva reveladora, e que contrariou falas anteriores do presidente Donald Trump. Na terça-feira (31/3), Pete Hegseth afirmou que o Irã ainda mantém capacidades de ataque, e continua resistindo à guerra que se estende por mais de um mês no Oriente Médio.
Os objetivos de guerra declarados pelos EUA
- De acordo com os EUA, os principais objetivos da guerra contra o Irã são: garantir que o país nunca desenvolva uma arma nuclear; a destruição das capacidades militares iranianas, incluindo o programa de mísseis e a Marinha; e o fim do apoio de Teerã a grupos e milícias da região, que costumam atuar contra Israel.
- O conflito no Oriente Médio já se estende por 33 dias.
- Um dos principais resultados da guerra foi a morte do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do país, assim como de outras figuras importantes do governo iraniano.
- Apesar disso, o regime islâmico se mantém de pé, e rapidamente escolheu um novo líder supremo: o aiatolá Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei.
- Além disso, o Irã continua com ataques contra países do Oriente Médio. As ações visam instalações norte-americanas, como bases militares e postos diplomáticos, espalhados pela região.
- Mesmo com tentativas de países como Paquistão e China, EUA e Irã ainda não chegaram a um entendimento diplomático sobre o conflito.
- Os EUA chegaram a enviar um acordo para o Irã. O país persa, contudo, rejeitou a proposta e listou suas próprias condições para encerrar a guerra.
De acordo com o secretário de Guerra norte-americano, as capacidades militares do Irã “só diminuem” com o passar dos dias. Apesar disso, ele admitiu que o país persa continuará realizando ataques contra países da região.
“Os próximos dias serão decisivos”, disse Hegseth. “O Irã sabe disso, e não há quase nada que eles possam fazer militarmente a respeito. Sim, eles ainda lançarão alguns mísseis, mas nós os abateremos”.
A fala do chefe do Pentágono contrasta com recentes declarações de Trump sobre o conflito. Desde o início dos ataques norte-americanos e israelenses, o presidente dos EUA tem insistido na retórica de que o Irã está derrotado na guerra, e que grande parte da infraestrutura militar do país teria sido destruída.
Ainda assim, países da região, principalmente nações do Golfo Pérsico, continuam sofrendo com ataques vindos do Irã. Antes do início do conflito, Teerã já havia alertado que qualquer agressão contra o território iraniano por parte dos EUA transformaria quaisquer posições norte-americanas no Oriente Médio em alvos legítimos.
Por isso, bases militares e representações diplomáticas ligadas a Washington têm sido bombardeadas desde o fim de fevereiro. As operações, que contam com a participação de milícias do Iraque, o Hezbollah no Líbano e, mais recentemente, os Houthis no Iêmen, já resultaram na morte de 13 militares norte-americanos.
Segundo dados do projeto Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), o Irã realizou, entre 28 de fevereiro e 31 de março, 1.238 ataques no Oriente Médio em retaliação à ofensiva dos EUA e Israel. A maioria das operações aconteceram com drones e bombardeios que utilizaram artilharia, como mísseis.
Deste número, 649 dos ataques acabaram interceptados, mas outros 589 tiveram seus impactos confirmados.
Somente na segunda-feira (30/3), 24 ataques foram registrados pela ACLED. A organização, especializada em análise global sobre conflitos espalhados pelo mundo, afirma os bombardeios aconteceram em 23 regiões de 8 países diferentes.
Além de instalações militares e diplomáticas, os ataques iranianos no Oriente Médio também podem evoluir. Foi o que prometeu o Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) na terça-feira (31/3).
Em um comunicado, o poderoso braço militar do governo iraniano disse que empresas norte-americanas espalhadas pela região devem se tornar alvos a partir de 1º de abril. Entre elas, Google, Apple, Microsoft, Tesla e Boeing.
Trump recua sobre Ormuz
No início da semana, o jornal norte-americano The Wall Street Journal revelou que Trump considera encerrar a guerra no Irã, apesar do bloqueio no Estreito de Ormuz.
Há mais de um mês, o estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo produzido mundialmente, enfrenta restrições de navegação impostas por forças iranianas. Com isso, o preço do combustível disparou, e barris do tipo brent já são comercializados acima de US$ 100 dólares.
Nas últimas semanas, o líder norte-americano falou em enviar uma missão para reabrir a passagem. Mas, com a falta de apoio de aliados, incluindo membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), ele acabou recuando.
Em um comunicado divulgado na rede social Truth, na terça-feira, Trump mandou um recado aos países que se recusaram a “se envolver na decapitação do Irã”, e que agora sofrem efeitos da crise energética global.
Na mensagem, o presidente republicano sinalizou que os EUA podem acabar com os esforços para restabelecer a navegação normal em Omuz. E deu duas opções para nações que enfrentam problemas relacionados ao petróleo: comprar o combustível norte-americano, ou tentar reabrir, eles mesmo, o estreito.
“Para todos os países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, tenho uma sugestão: Número 1, comprem dos EUA, temos bastante, e Número 2, criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM”, disse Trump. “Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar”.
Ainda assim, Trump continua ameaçando atacar instalações energéticas do Irã caso autoridades do Irã não aceitem um acordo com os EUA — o que membros do governo iraniano já rejeitaram. O prazo final para a ofensiva, que foi “adiada” pelo líder norte-americano por 10 dias, termina em 6 de abril.
Fonte: Metrópoles

