De maneira responsável, nunca questionei muito, pessoalmente, aqueles que comigo conviveram, convivem, trabalharam ou trabalham, e conscientemente busquei com honestidade, as melhores razões, para quaisquer desagrados que cometessem à minha pessoa. Sempre dei tempo, para que o bom senso assumisse.
É difícil, mas muito difícil e raro mesmo, encontrarmos alguém, do qual, nada se aproveite. Muitas vezes, gente com centenas de defeitos, lá no fundo, algo faz emergir de bom, tornando possível tolerar, e nos amoldar a ele, encontrando forma de boa convivência.
Claro, como tudo na vida, existe exceções. O próprio dicionário da língua portuguesa exibe palavra, adjetiva, que muito raramente podemos dela utilizar para se referir a outrem. Canalha é o termo. Podemos passar por toda uma existência e não encontramos ninguém, a quem pudéssemos assim chamar. Realmente, no que diz o “pai dos burros”, encontrar alguém com a total descrição do que seja a palavra, é difícil. Uma raridade. Cheguei aos sessenta ou um “pouco mais”, e só deparei me com dois ou um pouco forçado, três. E em níveis sociais completamente diferentes. Ao que me lembro, um era operador de máquinas, outro político, hoje Senador da República, e mais um, no limite, militar, ex-governador de Estado. Como se pode ver, canalhice não escolhe berço, nem profissão.
No mais, fora tais figuras, sempre me dei bem até com ferozes adversários e mesmo inimigos. Num ato de reconhecido merecimento, acho que foi herança paterna. Vindo de pobre, negro, feio, doido, rico, besta, imbecil, arrogante, tonitruante, burro, inteligente, no “trem” de minha vida, que sempre foi muito rápido, embarcou de tudo. Bêbado então, sempre atraído, explora bem minha paciência. Todos com minha total complacência e conivência. Para não haver discriminação, apareceu até ladrão, principalmente da área política, mas que também tinham algo de bom. Gostavam dos filhos, da família, eram leais aos companheiros de falcatruas, ou então davam esmola para pobre. E eu acreditava, pronto!!!
Nos últimos tempos, entretanto, com o espetacular avanço das comunicações, e a informação tornada geral, onde todos tomam conhecimento de tudo, a impressão ou constatação que nos tem ficado, é que os níveis de intolerância entre contrários, até das mais simples ideias, tem subido bastante. Políticos endoidaram pelo poder, abandonando finalidades, e como… A sociedade então, ao tratar de diferenças de classes, acostumou-se a oprimir, e na consequente resposta, ir às vias dos fatos, com agressões a bens materiais alheios e se autorizando inclusive, ao roubo da vida.
A economia, que mundialmente parecia estável, até Laden e Bush começarem suas bombas e explosões, explodiu junto. O petróleo subiu, que sumiu. Aumentou-se o tribal antagonismo humano de tal forma, que as melhores soluções das convivências hoje encontradas, são muros separatistas (outra vez), tiros às pencas e muito, na falta do que acreditarem, retorno irresponsável ao comando de religiosos, mais radicais e mais irresponsáveis ainda.
O mundo está intolerante. Até maridos e “maridas” se estranham, filhos se tornam excessivamente rebeldes e as incompreensões se generalizam. Estão todos anti alguma coisa. Os ódios estão avolumando e ocasionando intempestivamente, exteriorização de ira, que com seus apelos emocionais acirrados, acabam por provocar sofrimentos, dor e até morte de muita gente.
Até a própria democracia artificio inventado pela sociedade humana no sentido de mais atenção dar e proteger o mais fraco, tem sido usada para pressões outras e sacanagens cada vez maiores. “Democraticamente” se sedem espaço de autoridades até a reconhecidos devedores ao bom comportamento e lisura de caráter. E em nome dessa tal democracia já lá se vão se transgredindo até aos mais puros e sagrados conceitos familiares que são na verdade a maior estrutura e o melhor suporte que uma nação possa ter.
Enfim, como muitos mudaram os tempos, hoje a lei de encontrarmos canalhas as esquerdas e as direitas também os temos encontrado com semeaduras a frente de pessoas do passado.
Só mesmo DEUS!