“Não me peça o que de mim pertence a Deus
Nem dê mais do que eu preciso receber
Ser amado em excesso
Faz tão mal quanto não ser
Eu lhe peço que me ajude a ser de Deus…”
Neste poema, ele fala com muita “transparência” de sua “lealdade” ao Grande arquiteto do Universo, diante dos desafios da vida. Transparência e lealdade são duas qualidades do ser humano, curiosamente paradoxais, difíceis de ser recepcionadas em uma só pessoa, concomitantemente, haja vista a necessidade da negação de uma para a afirmação de outra.
Em certas ocasiões, ser leal nem sempre significa também ser transparente, pois ser transparente pode implicar em ausência de lealdade, quando você está diante de escolhas que vão de encontro aos interesses e conveniências sociais. Às vezes, a lealdade é rompida quando, contrariando interesses, você resolve ser transparente -é quando, falar a verdade, não é o politicamente correto!
O primeiro sinal de lealdade começa dentro de você, no seu interior, na construção do “eu”, quando sua condição de ser “humano demais” , revela suas fraquezas; e você é levado a reconhecer que ainda é uma pedra bruta a ser lapidada. Ser leal consigo mesmo não é fácil! O orgulho e a vaidade tola são os principais obstáculos para quem precisa admitir seus erros e fazer o recomeço, processo de ressignificação que implica na reforma íntima.
A vida não é um livro já escrito com um final já determinado. E só o reconhecimento dos próprios erros cometidos, fará você reescrever sua história com o preâmbulo da transparência.
Ser transparente é tão gratificante, quanto ser leal, mas nem sempre você consegue manter a lealdade, não sendo transparente; porque a experiência existencial é um jogo, e circunstâncias poderão te levar a agir, segundo os instintos mais primitivos de sobrevivência – é quando a necessidade pode falar mais alto que a lealdade e a transparência desaparece nesse subterfúgio.
Já fui transparente demais, comprometendo minha lealdade; e leal demais desprezando minha transparência. Cheguei a conclusão de que ser leal, sem transparência não vale a pena e o contrário também. É preciso subjugar as paixões, considerando que as forças do bem e do mal são como dois animais dentro de cada um de nós, o manso e o brabo – nós somos quem os alimentamos. E é necessário reconhecer que diante dos nossos inúmeros defeitos e qualidades, o segredo é buscar o sagrado nas coisas simples da vida para ficarmos mais próximos de Deus.
Lealdade é sinônimo de fidelidade; e transparência, qualidade de quem transmite a verdade “doa a quem doer”. Os raios luminosos haverão sempre de clarear o caminho de quem carrega consigo a verdade sem a adulterar. O tempo se encarrega de dar respostas a quem age com impudicícia e recompensa quem não abre mão de sua perspicuidade.
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.