Isso me causa um enorme espanto pois então quer dizer que não somos mais seres com vida terrena e sim vida digital?
É preocupante; aterrorizador até eu diria, que uns e outros não se importem com a alma, mas mesmo assim estejam de joelhos a pedir por bençãos divinas.
Mas o tema de hoje está relacionado a esta procura incessante por aceitação de massa, ou seja, pelos coraçõezinhos que recebem muitas pessoas nas redes sociais ao postarem sua rotina ou pior ainda ao emitirem comentários, opiniões e imagens da vida alheia.. Você mesmo já deve ter visto, até sem querer, uma avalanche de imagens de pessoas em situações desvantajosas como acidentes, tentativas de suicídio, mortes ao vivo por latrocínio, facadas e tiros, decapitações, membros mutilados…
Como elucida as teorias de propaganda quanto mais enfático e realista maior é a probabilidade de captação de clientes, pois pela curiosidade que um produto se apresenta e na forma como ele é vendido atrai o desejo de o possuir e conhecer mais sobre qualquer coisa que seja.
A curiosidade, palavra originária do latim curiositate, é uma emoção, uma adaptação evolucionária, que amplia as capacidades de um organismo provendo os mais simples planos de ação e a motivação necessária para a exploração de novos territórios. É um desejo forte de aprender, conhecer e investigar determinados assuntos, vendo, informando-se e desvendando, causando um comportamento natural e inquisitivo, comum e observável em várias espécies de animais tornando nossas mentes ativas na elaboração de perguntas e na busca de respostas que reforçam o exercício da memória quando nos deparamos com assuntos que nos despertam para algo novo.
Likes and blood significa sangue e curtidas, livre tradução. Quando a morte se torna notícia, surgem os canais e programas policiais, crimes e mortes na cidade, onde os apresentadores se dizem apenas um porta voz da notícia por eles não produzidas, mas apenas difundidas. Mas é claro que se o programa atrai pela desgraça alheia então os próprios produtores e equipe estão se beneficiando com isso, fato concreto.
A curiosidade mórbida em sua forma mais atenuada, pode ser entendida como um comportamento catártico, inerente aos seres humanos. Para a psicanálise, a curiosidade sobre diversas formas de desgraça, muitas vezes presentes na graça de entender a morte e suas condições, também trazem o mesmo alívio temporário ao Eu, no sentido de se estabelecer uma teoria de proteção onde o observador ativo se julga seguro por estar do outro lado da lente de seus aparelhos filmográficos. Em semelhança, Aristóteles comenta que nós chegamos a “gostar de contemplar justamente as imagens daquelas coisas que nos são mais doloridas.”
A aspiração e o fascínio pela morte e pelo sangue produziram festas macabras e altares de santos da morte como a da Santa Muerte, México.
Se for desgraça então é notícia. Sabendo disso alguns usufruem esta condição humana para ganhar ibope. Não espalhe para ninguém mas tem jornais televisivos que falam de notícias ruins do início ao fim para prender o telespectador mesmo que de forma inconsciente por parte do receptor.
Porém mesmo que muitas pessoas não saibam e agora irão saber, na legislação brasileira está instituído o direito de imagem que faz parte do rol dos direitos de personalidade consagrados na constituição federal de 88, a constituição cidadã. Descreve ser a personalidade: inata e inerente a cada um, irrenunciável e intransferível de cada cidadão mesmo após o evento morte. Vide artigo 11 do código civil brasileiro.
Assim sendo para que sejam postados conteúdo de exibição de outras pessoas é necessário que estas ou na falta de condições os responsáveis emitam autorização.
Outra questão é filmar, fotografar, reproduzir conteúdo, proferir palavrões contra o morto, atirar objetos, desdenhar da situação em que o corpo se encontra, praticar atos sexuais com o falecido entre outros incorre no crime de vilipêndio de cadáver. vilipêndio significa destratar ou humilhar; tratar com desdém; fazer com que algo ou alguém se sinta desprezado ou desdenhado; menosprezar; julgar algo ou alguém por baixo; não validar as qualidades de; ofender através de palavras, gestos ou ações.
Exemplo claro de crime de vilipêndio de cadáver foi o caso do acidente que vitimou o cantor Cristiano Araújo e sua noiva onde o vídeo do corpo do músico foi publicado nas redes sociais denotando desprezo, insignificância, pouco caso com o falecido e seus familiares.
Por vezes já assistimos os noticiários locais darem a informação de túmulos que foram arrombados nos cemitérios de Macapá.
Por fim, trata-se de crime de ação penal pública incondicionada, ou seja, é o Ministério Público o titular da ação.
Após tanto tempo os canais de comunicação se conscientizaram e pararam, graças a Deus, de postarem as imagens de pessoas em tamanho desfavor e sofrimento vindos e se limitando a mostrarem os locais de ocorrência, objetos envolvidos e se mostram imagens das pessoas pelo menos não se furtam a borrarem o ângulo de identificação destas.
Mas nas redes socias onde é terra de ninguém seria muito interessante que houvessem filtros e formas de proibir determinadas cenas pois mais que tudo somos humanos de carne sim, mas com alma, e esta alma nos dado pelo sopro do criador nos faz irmãos, filhos de um mesmo Pai Maior.
Por fim, acredito que muitos likes podem ser produzidos sem blood por ações positivas e produtivas na construção de uma sociedade cada vez melhor com um pensamento e atitude de evolução espiritual e material, afinal quando estamos reunidos em uma atmosfera energética positiva muito mais se ganha em saúde física e mental, muito mais se constrói para as futuras gerações e para o meio ambiente, muito mais somos gente e menos animal.