É inefável e indefinível a alegria de participar da edição de domingo, com textos do Alexandre Garcia, José Sarney, Cláudio Humberto, Hamilton Mourão, Randolfe Rodrigues, José Altino, Paulo Figueira, Gil Reis e Adilson Garcia, dentre outros.
Deixo minhas desculpas por citá-los pelos nomes, sem o emprego dos pronomes formais de tratamento ou ordem de precedência. O certo seria usar os termos Presidente da República, Vice-Presidente da República, Senador, Jornalista, Membro da Academia Brasileira de Letras ou fazer breve menção ao extenso currículo de cada um… Todavia, tal missão aqui é impossível, pois exigiria texto 100 vezes maior do que o espaço deste artigo.
Antes de avançar, preciso registrar que muito se fala em Liberdade de Imprensa. É elemento estruturante e fundamental dos regimes democráticos e está acima de qualquer negociação jurídico-política. Sobre isso, muito já se escreveu e se deverá escrever, mesmo já sendo sólido e reconhecido valor, ligado ao direito à informação.
Quero abordar outra nuance e falar na Liberdade “na imprensa”! É algo que experimentei neste jornal: o sabor e o valor de ter liberdade para escrever.
É atributo muito bom e agradável. Explico, melhor: tenho mais de 30 anos de vida profissional, como Advogado e Defensor Público/RJ. Os livros e textos escritos e as petições e recursos elaborados, sempre se desenvolveram em torno das naturais regras da profissão, segundo os balizamentos de cada caso concreto (pois, afinal, o que não está nos autos dos processos não está no mundo). Se por um lado não se pode tolher a liberdade profissional quando esta tem como seu maior compromisso a defesa do cliente, mas há balizamentos legais.
Aliás, a defesa é extremamente sedutora. Não se fala em acusação do meio ambiente ou dos direitos humanos. Se fala na defesa destes. Só as coisas pequenas têm preço. As coisas mais importantes têm valor, como a liberdade ou a inocência. Também como professor em disciplinas jurídicas, a atuação não foge muito do que chamamos de Direito Positivo, aquele que decorre das regras constitucionais e legais vigentes.
Na vida profissional, exerci outras funções públicas de alta envergadura, nas quais a atuação seguiu o compromisso com a ordem jurídica, com o sistema constitucional e com as regras vigentes, com atuação proba e limpa.
Agora, de certo modo, rasgando com esses 30 anos de experiência profissional, aqui, nestes dois anos, na Coluna semanal mantida aos domingos, foi-me concedida fantástica liberdade, diferente e mais ampla do que aquela do Direito, no cotidiano dos fóruns e tribunais.
É o tipo de liberdade talvez só compreendida quando nos lembramos que Dédalo e o seu filho, Ícaro, construíram asas e voaram para longe do Labirinto e do Minotauro. Fico aqui me dividindo entre os raios da entusiasmada adolescência do Ícaro e a responsabilidade do Dédalo, consciente de que a experiência da vida me direciona a fazê-lo seguindo os mestres na sua impagável experiência.
Não estico demais este ponto, mas há ditado chinês que diz que “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. A minha chegada se deu por incentivo do Paulo Figueira e a alta direção do Jornal foi mais gentil e acolhedora do que jamais poderia esperar. Silas e Araciara tornaram-se bons amigos.
Por isso, quando mais acima falei em liberdade “na imprensa”, quis dizer que isso é um valor absoluto, que levarei para a vida. Aqui, não houve jamais nenhum tipo de “censura” aos textos, nem direta nem sob a forma de sugestão, seja quanto aos títulos dos artigos, o seu conteúdo ou o modo de abordagem. Jamais, em tempo algum, a caneta vermelha da censura ou revisão modificou sequer uma vírgula dos textos. Sinto, cada vez mais, que qualquer censura ao escritor corresponderia a um tipo de cama de hospital. Nada menos traumático!
Qual o valor em se escrever os textos sobre os temas por abordar, conforme a inspiração brota, os fatos do Brasil e do mundo sugerem e a direção do lápis aponta? Os textos fluem, como rios em direção ao mar. Por vezes, uma ideia se convola em outra, com a razão, o cognitivo e a inspiração se digladiando e dando o tom. De toda sorte, os resultados sempre foram bem acolhidos.
As conversas após a publicação, com direção do jornal, só demonstram o afago carinhoso e o respeito aos textos publicados. Isso aumenta o compromisso com mais artigos responsáveis e seguros na sua materialidade, forma e conteúdo. Quão grande é o Jornal para propiciar essa simbiose elegante, altaneira e produtiva!
Sou daquelas pessoas que mais responsáveis ficam conforme aumentam a sua própria liberdade. E a que recebi é muito grande.
O direito de discordar é tão importante quanto o direito de concordar. Na imprensa livre e com o que chamei de liberdade na imprensa, essa concordância ou discordância cabe aos leitores. Participar disso é fantástico, notadamente em Jornal que tanto prestigia tal mecanismo.
Houve tempo em que o Brasil, imenso e continental, tinha jornais tidos como locais. Na era da internet, todos os órgãos jornalísticos e revistas circulam livremente nas suas versões virtuais, sendo acessíveis e acessáveis por todos, ao mesmo tempo, em todo o território brasileiro. Algo fantástico! Com isso, todos os jornais têm hoje abrangência nacional e se firmam pelo que informam e pela sua linha editorial, já que se equilibram, até por se valerem de grandes e comuns agências de notícias. E qual mais cativante do que aquele conteúdo livre, construído pela consciência dos pensadores, críticos e que visualizam, do mundo, pontos de vista diferente das leituras arcaicas das circunstâncias? A resposta dos leitores é a única que importa.
Hoje, cada um é juiz das informações que recebe. Trago para os textos um modo de estruturação que aprendi com dedicação ao Direito: ler vários livros e artigos sobre os mesmos assuntos, para cotejar os pontos de vista e as correntes doutrinárias e de pensamentos, para formar o meu modo de pensar.
Essa forma de agir leva à reflexão sobre cada palavra trazida aos textos, de modo que atinjam o maior número de leitores e não se fixem a uma corrente de pensamento ou ideológica, em detrimento de outra.
Isso seria doutrinação e não a outorga de elementos de liberdade para a compreensão de cada um.
Penso que devemos respeitar cada leitor, por ser único, exclusivo na percepção das mensagens, pela história de vida e por suas verdades.
É uma aventura ímpar ser chefe de mim mesmo, na elaboração de cada artigo. Declaro, sem pudor, que talvez seja mais rígido comigo do que qualquer chefe poderia ser. Sinto, de certa forma, uma satisfação ainda não plenamente compreendida em sua plenitude, diante dessa liberdade ampla e peculiar.
Aqui, exerço redação onde expresso acertos, glórias ou fracassos, falando sobre Amazônia, Direito Agrário, Geopolítica, Humanismo, Filosofia, Meio Ambiente e modo de vida. Sobre eventos e ocorrências, no Brasil e no Mundo. Nem toda referência é elogiosa, já que, por vezes, são os aspectos desagradáveis que exigem ser abordados. Tudo faz parte dessa missão, que com grado exercemos, como se fôssemos um tipo de Dom Quixote que não acha loucura ou utopia tentar mudar o mundo, por acreditar ser questão de Justiça.