Uma dramédia simultaneamente hilária e desesperadora, ‘’Mais uma Chance’’ é o retrato fiel da frustração e ânsia comum a muitos casais contemporâneos que não conseguem/podem conceber um filho. Apesar de parecer uma coisa muito simples, uma concepção também é feita de uma série de pormenores, que são destrinchados um a um na trama.
O filme acompanha o casal de cinquentões Rachel (Kathryn Hahn) e Richard (Paul Giamatti) e seu drama pessoal proveniente do fato de terem escolhido uma idade tão avançada para ter um filho. Logo, ter um bebê se torna uma obsessão para os dois, que se submetem a diversos tipos de tratamentos e técnicas artificiais para realizar seu sonho, todas mal-sucedidas. Com a chegada inesperada da sobrinha, Sadie (Kayli Carter) na casa, a esperança do casal renasce, já que Sadie está disposta a ajudar doando seu óvulo.
Apesar do humor ácido e constante, é possível ver o desgaste emocional que todo esse processo traz a cada um dos personagens, e os atores brilham ao conseguir transmitir cada sensação, desde a frustração até a esperança, ao espectador. A história é cativante, imersiva e até intimista; logo de cara, o filme convida a adentrar a rotina de expectativas, questionamentos e monomania do casal, o que lhe confere um realismo extremo e faz com que a tudo seja extremamente tangível.
Uma produção mordaz, concreta e incrivelmente magnética, essa comédia provoca altas risadas e ao mesmo tempo, reflexões cabíveis.
Encontros e Desencontros
Filme que rendeu a Sofia Coppola o Oscar de melhor roteiro original, ‘’Encontros e Desencontros’’ é uma ode ao amor em tempos de solidão. Se passando na agitada Tóquio, o contraste entre a vividez da cidade e o vazio dos protagonistas talvez seja o ponto mais interessante dessa obra, além da cautela e sutileza com a qual um relacionamento memorável é criado.
Na trama, Bob Harris (Bill Murray) é uma estrela de cinema, que precisa passar alguns dias em Tóquio para gravar um comercial; Charlotte (Scarlett Johansson) é uma esposa infeliz de um fotógrafo que viaja para o interior do Japão a trabalho, deixando-a na capital. Os dois tem algo em comum: Um vazio insistente e perceptível em suas almas. A partir do momento em que, casualmente, os dois se encontram no bar do hotel após noites de insônia e a partir daí um vínculo singular se estabelece entre os dois, mudando suas vidas e concepções para sempre.
A delicadeza com a qual a diretora tece a história é confortante, e a cada cena, à medida que a relação entre as personagens vai se desenvolvendo, o espectador se sente mais fascinado. É interessante ver como algo realmente transcendental é criado em tela. Desprovida de pretensões ou amargura, de súbito, a relação entre Bob e Charlotte preenche o vazio que de início é visível em cada um, e se eterniza com um final intrigante.
Uma história sensível e leve, que te guia por Tóquio.