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• Para entender as mortes que, em um único dia, geraram perplexidade e medo nos amapaenses é preciso conhecer um pouco sobre os milicianos que fazem parte de facções que se espalharam pelos estados brasileiros a partir de Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente.
• Embora citados nos noticiários como risco à democracia brasileira, por seu poder e influência política, milicianos são minoria nos presídios federais. Entre os poucos milicianos presos, predominam membros do Primeiro Comando da Capital, Comando Vermelho e Família do Norte. Mas, à sombra desses grupos maiores – muitas vezes fazendo alianças com eles – surgiram grupos como Bonde dos Cachorros, Amigos do Estado, Sindicato RN e Cerol Fino, que compõem um universo de cerca de 40 facções criminosas que navegam o complexo cenário do tráfico de drogas e roubos em seus estados.
• Esses grupos disputam dentro dos presídios e nas periferias do país seu quinhão no bilionário negócio da venda da cocaína, maconha e crack, além de roubo, dentre outros, de cargas e bancos. Tratei desse tema em entrevista à Rede Globo. Assista no link https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=949588478532081&id=481471095343824&sfnsn=mo&extid=HkDI0r2OPrl5Qfrv
• Para responder essas ações criminosas, o Estado construiu cinco unidades de segurança máxima espalhadas pelo país – totalizando cerca de 800 vagas – para abrigar milicianos dessas facções. Essas penitenciárias abrigam apenas os detentos considerados mais perigosos, aqueles com potencial para desestabilizar as unidades administradas pelos governos estaduais, ou aqueles que continuaram a dar as cartas no mundo do crime mesmo atrás das grades. Dentre eles, encontram-se os famosos Fernandinho Beira-Mar(CV), Nem da Rocinha (Amigo dos Amigos), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (PCC) e José Roberto Fernandes Barbosa, vulgo Zé da Compensa (FDN) e irmãos Gerônimo e Natalino, fundadores da milícia Liga da Justiça. Estes últimos, que foram policiais civis, não mais se encontram presos.
• Em uma entrevista ao El País, Nem da Rocinha disparou: “Você acha que os políticos não sabem como resolver o problema da violência?”. Em seguida, responde à própria pergunta. “O problema é que eles sabem que não serão reeleitos se fizerem isso. Sabem que isso exige um investimento em educação e políticas sociais que não têm retorno na urna, no curto prazo, mas que é algo para o médio prazo, para daqui a dez ou 15 anos. A preocupação maior é o mandato, não é resolver nada”. Essa declaração, que diz muito sobre o problema das facções, pode ser acessada no https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/13/politica/1520947959_760179.html
• A declaração de Nem da Rocinha é combustível para reacender a polêmica sobre a troca de voto por dinheiro, materiais e cargos públicos, ofertados por políticos que tem interesse em manter o eleitor em situação de extrema pobreza e residindo em áreas dominadas por facções. Nesse contexto, constata-se que a manutenção da miséria é do interesse desses políticos e será mantida enquanto não houver a conscientização das pessoas que vivem o círculo vicioso da venda do voto, a qual gera má gestão e corrupção, as quais por sua vez dão origem à miséria do eleitor.
• Sair desse círculo vicioso – no qual o voto vendido é a autorização para o comprador manter na miséria quem vende – depende do agir de cada um de nós, porque a conscientização inicia em casa, passa pelos parentes e precisa chegar nos amigos. Deve ser executada com empatia, respeito e muita resiliência, pois a maioria não aceita a ideia óbvia de que as pessoas são diferentes, razão pela qual nem todo político é igual; são iguais apenas aqueles que tentam comprar o seu voto.
• Contudo, a compreensão de que a governança está nas mãos de eleitos – que podem ser mudados através do voto a cada 4 ou 8 anos (senadores) – está gerando o despertar da população. Essa percepção aliada ao sofrimento decorrente da dor física e psicológica, causada pela falta de oportunidades de trabalho, por doenças e pela morte de parentes e amigos, em função da Má Gestão e Corrupção dos maus eleitos, estão gerando revolta e evidenciando que a política atual não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências…através do voto. É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!