Maria, Maria, Marias, quem as definiria?
São tantas as travessias lentas e prolongadas agonias regadas com a energia de seus sorrisos luzes de amor e empatia na incessante missão de resgatar a esperança ao amanhecer e ao entardecer de cada dia.
Maria, Maria, marias … são flores, são troncos são sementes.
Rebentos que se apresentam em solos estéreis sob climas inclementes fustigados por secas, chuvas e ventos espalhando fogaréus em solos ardentes dos braseiros de corpos e de mentes.
Maria, Maria, Marias transfiguradas em Clarice Lispector, Cora Coralina, Tarsila …
Uma lista infinda , abrindo sulcos nos “ mundos de Alice”, nas “bolhas” das esquinas, nos “papos de botecos” – Chiquinha Gonzaga – a cantora proibida, cada vez mais linda. Muitas, elas são muitas, são constelações, não dá para contar, não, não cabe nas mãos.
Maria Lenk, as águas foram sua superfície para superar os tempos de negação do papel relevante da mulher na natação, de braçada em braçada foi das águas do Tietê ao
International Swimming Hall of Fame. Marie Skłodowska-Curie é uma página do talento das Marias, a Ciência a ela reverencia, amiga dileta dos elementos químicos, desvendou mistérios da matéria, revelando possibilidades de ninguém antes conhecidas.
Maria da Penha, mais do que símbolo é luta, é a conquista nascida da capacidade das mulheres de transformarem a morte em vida ou como, em versos, Fernando Brant expressou, “Mas é preciso ter manha, é preciso ter graça. É preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca possui A estranha mania de ter fé na vida”.
Maria, Maria, Marias estão nas florestas da Amazônia, nas vigílias dos ribeirinhos, no dorso duro do Norte, na imensidão gélida dos pampas, nos mares sem rotas, nas calçadas urbanas, no desterro ou nos confinamentos de inúmeros empreendimentos sem humanidade ou saneamento.
Lá nas entranhas de Minas Gerais mais uma singular figura de uma mulher que desbravou trilhas na poesia e na política em uma época não propícia para as Marias. “Bárbara Bela, do Norte estrela…” nas palavras de Alvarenga Peixoto.
Filha de Maria Josefa, mãe de Maria Efigênia, a poetisa heroína da Inconfidência – Bárbara Heliodora. Embora seus cadernos de poemas tenham sido rasgados pelos soldados de Maria, a louca, rainha de Portugal, sua postura a tornou imortal.
Maria, Maria, Marias em nomes distribuídos através de fonemas multiplicadores do som da vida em vibração de vida.