Fui…
O problema que parecia simples, na verdade se tratava de preconceitos na história cultural e política de nosso país. O Francisco Peixoto, vulgo Baixinho, moreninho, sub letrado, safado, e tinhoso como ele só, presidente do sindicato dos garimpeiros de Roraima insistia em ser candidato a deputado estadual. Um absurdo, diziam. Ele mal sabia fazer um O sentado pelado na areia. Seu falar então era triste. Tropicava em adjetivos, verbos e letras. Mas, queria ser deputado.
O grande problema é que apesar de tudo, todos o consideravam um bom cabo eleitoral e ninguém queria desagradá-lo. Mas, daí a abrirem espaço para ele, consideravam uma vergonha para a representatividade estadual. Por isso a solução que encontraram foi chamar-me como presidente da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal para fazê-lo desistir do intento. Pior, fazê-lo afastar-se satisfeito e ainda aplaudindo aos outros. Porra!!
Na reunião preparada para tal fim, foi só eu começar a abrir a boca, eles já sentiram o tamanho da merda que arranjaram. Não concordei a época e nem concordo agora, mais velho e com fogo baixo, apesar de que São Paulo em novos tempos está exagerando bastante, dando continuidade ao cômico que ali atrás renunciou, deu cadeira a um pornô e na Casa Alta um garanhão.
Assembleias legislativas, Câmaras de Deputados, foram criadas e existem na estrutura do estado exatamente para representatividade do povo brasileiro como ele é. E esta representatividade é setorizada. A grande esperança na democracia é que todas as classes, categorias sociais e profissionais ali estejam representadas com suas vontades e com seus, outra vez, votos participativos. Isto é e sempre será o ideal. Correções políticas a serem feitas estão no equilíbrio da cultura social, obrigação conjunta família/estado, não na discriminação social.
O que temos muito a lamentar é a maciça presença de espertalhões, endinheirados em busca de títulos, vigários e vagabundos, não e nunca dos menos instruídos ou incultos. Até porque, muitas vezes a cultura não vem apenas do papel, da escola ou professor, podendo advir da própria vida.
E que fazer quando sabidamente mais de um terço da população brasileira é bem mais próxima do estereótipo do Baixinho que dos habitantes “normais”, como querem?
Já acontecia à época, uma novidade hilária na edição política paulista, que no passado chegou a eleger deputado um rinoceronte chamado Cacareco. Entregava a federação como representante o circense palhaço Tiririca. E o engraçado é que ele é a cara do próprio ex pretendente roraimense, menos mulato, mas, tal qual. Pelo o que sinto e vejo estes senhores são mais a expressão do nosso Brasil que “nóis”.
Só que o estado de São Paulo deu naquela vez a seu querido artista nordestino fugitivo das escolas, e como deu… 1.380.000 (um milhão trezentos e oitenta mil) votos o que representa enorme segmento. Gente culta no meio, tenho certeza.
Na ocasião, exigido, chegou a prestar uma prova, de ser alfabetizado. “Sofredor” de situação parecida, coube posteriormente sua correção, ao presidente Luís Inácio Lula da Silva, que lhe deu obvia aprovação, o habilitando a seguir em frente e ser indicado para a comissão de Cultura e Educação da Câmara dos Deputados. Escaparam-lhe a de Economia e Relações Internacionais (aff).
Professores e diplomados chiaram e não gostaram. Uma pena! Não entenderam a grandeza do exemplo. Quem sabe, ele, Senhor Deputado Francisco Everaldo Oliveira Silva (Tiririca) não saberia mais que eles, doutores e mestres porque não conseguiu adquirir cultura alguma, ficando puro? Quem realmente sabe?
Vai ver que seu inusitado exemplo pôde ajudar mais que o soberbo academicismo de alguns, que campeia solto há séculos em nosso país, provocando sempre sérias divisões sociais e aprofundando barreiras entre nossa gente, embora na política hoje continue a acontecer grandes exageros… e sem mais o “consentimento” de Lula.
Este episódio começou e ficou na história, lá no longínquo Roraima, como disse. Baixinho não candidatou, desistiu…. Tentaram e acertaram “ele” $$… Caro!!! Tiririca o mestre da Florentina de Jesus, ex renunciante, voltou ao cargo…
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.