Foi o suficiente para um bom amigo meu, o Paulo, mandar me uma dura e senhora chamada de atenção: “Para defender sua atividade, não precisa atacar outra, também necessária e perseguida, a pecuária.”
O interessante que por me explicar mal, até mereci a dura dele, ainda mais que como empresário do campo e grande agricultor ele tem toda a autoridade em fazê-lo, entretanto, esclarecendo melhor não foi absolutamente a esse tipo de agronegócio que ele representa, a que estava me referindo.
Assim como eu, o grande Paulo, homem de produção da terra tem atravessado problemas mais políticos do que econômicos ou financeiros. Se Deus, o bom senhor nos permitisse, seria até razoável que nós nos tornássemos bandidos ou simplesmente aproveitadores da própria vida. Bem que neste Brasil dá vontade de assim ser, o que impede é a criação que recebemos, a honradez de nossos pais e o bom caráter que sempre cultuamos, por isso faço questão de agora explicar ao próprio Paulo e a todos o que bem quis dizer a respeito de tais latifúndios amazônicos.
Para começar, não são de pessoas que buscam a Amazônia para desenvolvê-la e para nela estarem, a respeitando e desejando a ela tudo de bem. Não, de jeito algum. Eles buscam os grandes subsídios daqui emanados, para aportarem seus ganhos de outras áreas ou até mesmo “de regiões de cofres políticos” e são grandes empresários de outros sistemas econômicos. Apenas buscam parecer “gastar seu dinheiro na Amazônia, mas são acolhidos por uma SUDAM criada com propósitos mais que honestos por governos anteriores e que não deveria se prestar a isso. Este sim, é o mundo econômico a qual me referia.
Se Paulo com cabeça serena procurasse o interior da Amazônia, iria encontrar centenas, senão milhares de honestos e pequenos ou grandes produtores da agropecuária. Mas, entristeceria também verificar a enorme quantidade de recursos aportados de origens duvidosas pela política permissiva e pela lentidão no judiciário que este país ostenta.
Há anos habitei as proximidades de margens do Rio Xingu e de lá decolava em meu avião rumo ao Tapajós sobre aquela magnífica selva presente na terra do meio (Xingu/Tapajós).
Logo ao cruzar o Xingu, passávamos a sobrevoar a gleba conhecida como TRIUNFO-PA, naqueles tempos mata bruta. Hoje, caro Paulo, uma mega fazenda, nome de Santa, com mais de 40 mil rezes de um filhote de ex político extremo em nosso país; dele e de um empresário que respondera processo judicial, que não fora o açodamento “moro-nense” aplicado, ele estaria numa boa cadeia curtindo sonhos e se tornando sabedor de outro valor, qual seja, liberdade. Nesta propriedade, quando balança a roseira da investigação aportam centenas de carretas e levam toda a boiada para um turismo distante. Em Mato Grosso, outro investimento rural deles. Enorme, bem maior que este citado.
Ainda tive a oportunidade de encontrar estes proprietários quando adquiriram outra propriedade, área de fazendeiro de Marabá – PA. Estava por lá quando recebiam a fazenda, e até confiança não me deram muita, se concedendo até a ousadia em dizer que nos três anos seguintes chegariam a um milhão de rezes em pasto.
Sabia eu com certeza de onde provinha tanto capital empregado e envergonhado por eles se permitirem contarem essa vantagem em minha presença como se eu fizesse parte de gangues nacionais, fui-me embora envergonhado, até de mim mesmo e por que não, de ser brasileiro.
Mas, não fica por aí não senhores leitores e meu caro Paulo, não fica. Com o asfaltamento da Br-163, caminho onde nunca passava sequer mula arriada, por hoje trafegam quase 4 mil carretas indo e outras 4 mil vindo, as coisas tomaram outros valores. E atrás desses valores em vez da gente da produção como o próprio Paulo, vieram as aves de rapina que derrubam a floresta, lá deixam apenas um humilde empregado para receber a fiscalização que chega e autua, mas não vai atrás do responsável por toda a devastação. Chegada a época, sempre meados de agosto, e de terra tombada como diz a letra da música do sertanejo, veem de lá e taca fogo na madeira e mato ressequido pela devastação. Multa, besteira, a propriedade valerá muito mais. E lá vai para os céus o canudo de fumaça e também por eles chegará à repressão, feroz, ä outra ocupação Amazônica, que nada tem com isso. Só para não confrontar com essa gente de poder econômico alto, preferem descer em garimpos ou mesmo colonos de gente humilde, ateando fogo a tudo e expondo para todo o país a humilhação de trabalhadores nesta Nação. E olhem, organizações como a Globo dos Marinhos, assim como outras, ainda aplaudem essas coisas, ongs a parte.
Está aí Paulo, me referia a aproveitadores da inocência ou maldade administrativa que tange esta nossa nação.
PS: este Paulo a que me refiro chegou a ser um dos maiores rizicultores (arrozeiro) do Brasil.