Das memórias dos meus rios
Nasce um emaranhado de água
Que escorre devagar, liberta e
Por entre meus dedos, disfarçada.
É um rio, e corre sinuosamente
Sobre as minhas mãos molhadas
Trazendo sobre a minha pele um
Novelo emaranhado de saudades.
E assim, sobre meu corpo despido
Brilha o sol e toda a sua verdade
Sobre a superfície dessas águas
Que fluem para dentro de mim.
Num silêncio calado na proa da alma
Sob a coragem inusitada dos medos
E assim percebo o meu próprio rio
Passar liberto por entre meus dedos.
Memórias
Sobre o próprio retrato no fundo
da água
Há uma história contada por seu
olhar
Há memórias de um rio outrora navegado
Pelo o barco da infância sobre
o mar.
Sobre a água, as folhas dos
tantos outonos
No silêncio liso das remotas
madrugadas
Levadas pelos remos ritmados
do passado
Pelas memórias sobre a fina
seda amarrotada.
E tudo quanto é mar, abre algum
encanto
Que em seu fundo guarda a sua
memória
Na sedenta ânsia de discorridas
a vida
Contando sobre o retrato a própria
história.