Ainda outro dia meus irmãos (11) questionavam e muito, minha participação de forma ostensiva na política. Sacrificaram um pouco minha paciência, levando a limites minha tolerância, que claro, em relação a eles é tão extensa que nunca se acaba.
Coloquei a eles, como também faço para muitos, que já tendo chegado há alguns anos e com velocidade extremada de vida, tenho mais é que participar, produzir opiniões e lutar pelas justas causas que ainda acredito e que me enchem de calor e interesse em permanecer vivo. Política hoje é uma delas, principalmente porque boa ou ruim é herança, que se pode deixar, ainda que só pelo voto. Assim, como em tudo que me envolvo também a faço com paixão, movido sempre pela categórica recusa, de sequer entrar na fila dos tantos e tantos brasileiros acomodados infelicitados. Muitos conformados, outros desempregados, desesperançados ou aposentados, não encontrando razões para acordar ao amanhecer. Abrindo os olhos, passam a fazer esforço para continuar a dormir não despertando para a vida que os aguarda, recusando-se sentir as realidades das dificuldades em que se encontram.
Viver assim é pesadelo. E essa ruim perturbação na mente, para a quase totalidade dos que dela padecem tem suas origens seguras, na viciada organização política do estado brasileiro.
Fui vereador muito jovem. Dos dezoito aos vinte e dois anos, na inocência da puberdade, achei a política coisa tão vagabunda, que sequer candidatei-me novamente. E ainda dela saí a excomungar; coisa de menino irresponsável.
E como demorou a passar tal ”crise”… Já desperto desse precoce espaço de tempo onde faltara inteligência, somente aos quarenta e oito anos, então percebi a grande idiotice que havia feito. Ao ignorar a política, políticos e questões de estado, tornara-me talvez, até pior, dos pares que ficaram. Ainda mais que, ao juntar-me aos omissos, contagiava sempre outros falando mal e denegrindo o necessário exercício público da política. E este campo intolerante é imensamente vasto, tal a quantidade de pessoas para as quais fica difícil até sua discussão, que dirá participação. Exatamente por isso, os espaços ficaram escancarados para o surgimento de carreiristas profissionais, sagazes artistas na arte dos engodos, farsantes e mais recentemente, ao abuso de uso das crenças.
Hoje, mesmo com toda isenção, ao assistir a disputa do poder pela política, verifica-se que também a honra pediu licença e foi-se embora, permitindo e dando vez àqueles que não lhe tem em conta. A desfaçatez com que se apresentam até quem já foi testado e reprovado é incrível. E mais notável, é que nada parece perturbar sequer o semblante de quem da vida pública só retira sem grande coisa ou nada deixar em troca, em flagrante abuso da confiante inocência de nossa gente.
Em nosso Estado, como noutros em disputa, do mais importante cargo aos menores, e que deveriam representar todo o bem-estar, saúde e educação das famílias, se produzem cenas de extremas, para não ser muito severo, de perversa hilaridade. Imagino que até Deus saiba, e fique constrangido da classe que se permitiu criar. Mais respeitoso eu cuidar, de que é castigo para todos nós.
Educado, acuado e até tímido, o próprio povo busca ser compreensivo com a necessidade costumeira de alguns políticos brasileiros sem maiores talentos, em mentir a eles para conseguir intentos. Preferindo talvez, até aqui, deixar passar, esperando mais tarde pelo julgamento Divino… apesar dos sempre quatro decorridos e vividos políticos anos, cuja conta à eles nunca é sequer apresentada.
Rezemos para que, agora mais seletivos e participativos (inclusão política e social), não tenhamos memória de peixe, ou seja, exatos trinta segundos, ou outra eleição.