A atividade de “monitoramento” dos territórios brasileiros, por outros países e empresas internacionais, é cada vez maior. Atitude que é declarada abertamente. Vejamos uma matéria veiculada recentemente pelo jornal “O Estado de São Paulo”:
“Para grupo que administra até US$ 7 trilhões, trabalho ambiental ainda é insatisfatório. Executivos apontam também para um aumento nos incêndios e no desmatamento na região amazônica. Em reunião com o Vice-Presidente Hamilton Mourão, investidores estrangeiros disseram que o trabalho ambiental feito pelo governo brasileiro ainda é insatisfatório e que continuarão a monitorar as medidas que são prometidas para a região amazônica para avaliar a exposição a riscos financeiros decorrentes do desmatamento. O encontro virtual de sexta-feira passada se deu dias depois de Mourão ter defendido no Fórum Mundial de Davos ajuda da iniciativa privada no processo e criticado a falta de financiamento internacional para atividades sustentáveis no país.”
Impressionante o descaramento da afirmativa que vão continuar a monitorar os nossos territórios e atividades governamentais, não que tenhamos nada a esconder, afinal nós mesmos divulgamos, através de organismos oficiais, para quem quiser ler em qualquer parte do planeta.
O que realmente preocupa é que somente são mostradas as ocorrências sem o mínimo interesse em esclarecer as suas causas, deixando transparecer nas “entrelinhas” que tudo o que vem ocorrendo no Brasil em termos ambientais é consequência de atividades criminosas. O que não é dito nunca é que o nosso país tem a mais séria e dura legislação ambiental do mundo.
Toda vez que ouço a expressão “monitoramento” me recordo do corrido em 1° de maio de 1960:
“Um avião-espião U-2 dos Estados Unidos, pilotado por um agente da CIA, foi abatido sobre a União Soviética. O piloto, Francis Garis Powers, era um agente da CIA. Mais que a derrubada de uma aeronave militar, o “Incidente U-2” foi um dos momentos mais “quentes” da Guerra Fria e acirrou os ânimos entre a União Soviética e os EUA.”
Pois é, o “monitoramento” que estava fazendo o piloto e agente da CIA Francis Garis Powers, com um avião U 2, até mais “tosco” que hoje por satélites, foi tratado como espionagem. O pobre piloto apenas “monitorava” deslocamento de tropas e instalações militares em território da falecida União Soviética e por isso o seu avião foi derrubado.
Os sábios dirão que a derrubada da aeronave foi mais que justa, o mundo convivia com a guerra fria e qualquer tipo de “monitoramento” era absolutamente inadmissível. Alguns até chegam a afirmar que não existe mais guerra fria e lamento informar de que continua existindo, apenas houve mudanças no protagonismo.
O Brasil não enfrenta uma guerra fria no sentido convencional e sim uma guerra quente no mercado internacional. Os tentáculos do tal monitoramento ficaram mais longos e se diversificaram. Creio, inclusive, que a espionagem comercial em nosso país se ampliou, além de satélites usa milhares de ONGs internacionais como estruturas avançadas com atuação em todo o nosso território.
As nossas atividades agropecuárias são monitoradas por vários países, empresas internacionais e investidores. Até a NASA nos monitora. Alguém tem conhecimento de que o Brasil ou empresas brasileiras monitoram os Estados Unidos ou qualquer outro país? Alguém tem notícia de ONGs brasileiras monitorando as atividades agropecuárias de outros países?
Toda e qualquer informação que recebemos, sobre os países europeus que guerreiam contra nós, é sempre através da imprensa internacional, como a que foi publicada no último dia 3 pela Associated Press:
“Um tribunal de Paris decidiu na quarta-feira que o estado francês falhou em tomar medidas suficientes para combater a mudança climática em um caso movido por quatro organizações não governamentais. As ONGs aplaudiram a decisão como “histórica” para seu país e uma bênção para aqueles que usam a lei para pressionar seus governos na luta contra o aquecimento global. As quatro organizações são Greenpeace França, Oxfam França, Fundação Nicolas Hulot e Notre Affaire a Tous (Nossa Responsabilidade Compartilhada). Em sua decisão, o tribunal administrativo reconheceu “deficiências” ecológicas vinculadas às mudanças climáticas e responsabilizou o Estado francês por não cumprir integralmente seus objetivos de redução dos gases de efeito estufa.”
O típico caso do “feitiço contra o feiticeiro”. Não pretendo defender a França, entretanto, devemos ficar com “as barbas de molho”. Tal notícia demonstra o crescimento de ONGs, a maioria com donos, na direção de controlar os países e governos eleitos democraticamente. Trata-se de um câncer com crescimento vertiginoso, influenciando até os judiciários, vamos precisar de muita quimioterapia e radioterapia.
Nós somos “cheios de dedos” quando se fala em sistemas de informações governamentais. Não tenho a mínima preocupação que me chamem de fascista, até porque não sou. As verdades, por mais que possam parecer inconvenientes, precisam ser ditas. Os sistemas de segurança e informações brasileiros precisam ser aprimorados e ampliados, principalmente na área internacional. É preciso criar ou ampliar um departamento de análise de tudo que é veiculado nas mídias nacionais, internacionais e nas redes sociais para que se possa identificar as distorções e as “fakes information” para podermos desmenti-las. Precisamos monitorar os sistemas produtivos dos países que nos atacam e denunciar os desrespeitos às políticas de meio ambiente e do aquecimento global.
Precisamos, enfim, de informações fidedignas colhidas por nós mesmos para podermos municiar as nossas autoridades. Toda e qualquer autoridade ao se pronunciar, nos mais diversos fóruns nacionais ou internacionais, precisa estar segura que as informações que usará são verdadeiras e que não poderão ser desmentidas. Toda e qualquer organização, seja oficial ou privada, ao divulgar informações sobre o Brasil tem que se policiar e ter certeza que são completas, com os fatos e suas causas. “Quem dá armas aos inimigos se lhes morre nas mãos”.
Estamos enfrentando uma guerra, surda e suja, cujos adversários usam espionagem travestida de “monitoramento” contra nós e conhecem todas as nossas deficiências e riquezas. Precisamos nos posicionar e contra atacar.
Gil Reis
Consultor em Agronegócio