Desde a “revolução da agricultura tropical” a produção brasileira tem crescido imensamente, superando em muito os chamados “parceiros” do mundo ocidental causando grande susto. Já fica cada vez mais distante a época que o Brasil possuía dependência alimentar, também, se distancia o tempo que por falta de demanda destruíamos os nossos excedentes de produção ás margens das estradas. Tudo faz parte de um passado triste e aterrorizante que os mais jovens tiveram a felicidade de não testemunhar.
Graças ao trabalho pioneiro de alguns brasileiros corajosos e incansáveis que comandaram e comandam o nosso Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento – MAPA, como verdadeiros “novos bandeirantes” desbravaram o mercado internacional abrindo espaço para a comercialização da nossa produção agropecuária no mundo ocidental e fora dele. Fazendo justiça é preciso citar com bastante ênfase o nome da atual titular do MAPA, a Ministra Tereza Cristina Correa da Costa, que multiplicou em muitas vezes a abertura de novos mercados, fui testemunha de algumas dessas negociações. Naturalmente a performance da Ministra é sabida por todos, todavia, o que poucos sabem é que o trabalho foi feito muitas vezes às custas de sua própria saúde.
Abertos os novos mercados o Agro brasileiro demonstrou que o seu crescimento estava fortemente reprimido e cresceu rapidamente. Foi uma questão de pouquíssimo tempo para invadirmos o mercado internacional com a nossa coragem e pujança, desbancando a maioria dos donos do mercado. Os nossos ditos parceiros no mundo ocidental ficaram em polvorosa buscando uma solução para frear o Brasil.
Para iniciar o processo de frear o Brasil, não foi preciso ir longe, bastou recordar o que disse Maurice Guernier, Secretário do Clube de Roma, em entrevista realizada em 27 de maio de 1980 – “A nossa chave para o poder é o movimento ecológico”. Aí estava a solução. Primeiro começaram com os ataques buscando o desmatamento zero, uma verdadeira “moratória da produção na Amazônia”, não se deram conta que aqui na nossa região já há uma moratória quase total, em razão do Código Florestal somente podemos utilizar e produzir em 20% das nossas terras. Não imaginem que a afirmativa se trata de ataque ao Código Florestal, afinal, apesar de muitos não reconhecerem, nós produtores sérios da Amazônia, somos brasileiros, democratas e legalistas.
Com o tempo os inimigos perceberam que tal movimento era totalmente inócuo, os argumentos não sobreviveriam à realidade, a Amazônia está praticamente blindada com mais de 60% do seu território preservado. O desmatamento ilegal produzido por uns poucos bandidos e questões climáticas serviria apenas como discurso político contra o atual governo, porém, não impediria a performance do Brasil no mercado internacional. O que produzimos aqui representa apenas 2% do total das exportações brasileiras. Há muito a Europa não compra o que produzimos, os nossos maiores clientes estão fora do mundo ocidental.
Diante do quadro Amazônico os ataques foram redirecionados para duas novas frentes: a soja e o ataque ao atual Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Alguém pode imaginar um mundo sem soja alguns anos? Por favor, estudem a participação da soja em grande parte dos alimentos. Os inimigos não perceberam, ainda, que no Brasil já existe um trabalho muito sério dos produtores de soja impedindo o desmatamento ilegal. Conheço muito bem as atitudes de certos países do mundo ocidental – alguns quando não tem competência para vencer a concorrência apelam para a destruição do concorrente.
Estamos testemunhando uma campanha solerte para derrubar o Ministro Salles. Aqui na região ficamos extremamente preocupados, nos últimos 25 anos foi o único Ministro do Meio Ambiente que se preocupou e levantou a bandeira em defesa da Amazônia. Quem pretendem que assuma o MMA? Qual a verdadeira intenção de tal campanha? Pelo que tenho observado e pude deduzir é que a ideia é implantação de uma “moratória na produção da agropecuária brasileira” com a consequente retirada do Brasil do mercado internacional. Naturalmente o atual governante e o Ministro do MMA são empecilhos fortíssimos para os ambientalistas europeus e seus colaboracionistas atingirem seus objetivos e partiram para a tentativa de desmoralizá-los no exterior. Caso não tenham sucesso qual será o plano B? Por favor examinem com muito cuidado o quadro que está posto para poder raciocinar. Pois é, desde a campanha do atual governante tem ocorrido eventos que jamais imaginamos que pudessem ocorrer no Brasil.
Pasmem, recentemente o Banco Central do Brasil lançou um edital de “consulta pública”, tentando substituir o Congresso Nacional legislando e ultrapassando os limites de sua competência estabelecendo “regras de gerenciamento do risco social, do risco ambiental e do risco climático aplicáveis às instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco”, e que a lógica aponta que será mais uma forma de encarecer e restringir os financiamentos para o Agro. Será que acaba de surgir no horizonte um poderoso colaboracionista?
Com relação à campanha para implantar as normas da União Europeia no nosso país, em detrimento à nossa legislação e ao nosso Agro, o jogo das multinacionais e das ONGs não é difícil de entender, estão cuidando de seus negócios. Já o jogo das empresas nacionais não entendi ainda, salvo se for mera ilusão. Ainda não perceberam que se o Agro brasileiro perder a luta sofrerão as consequências junto conosco ou serão engolidas pelas multinacionais “aliadas”? O conjunto da ópera é muito simples, começou com a pretensão de tutela dos amazônidas e logo, logo tal tutela se espalhará pelo resto do pais, aguardem. O placar está assim: 1 X 0 para o Maurice Guernier.
Quanto a nós amazônidas ficaremos assistindo as ações dos que nunca nos defenderam e agora resolveram nos defender. Que o universo nos proteja dos tais defensores.