Sabendo disso, compreendi, ainda, que a verdade de um é a mentira de outro. Muitas vezes, aliás, milhares de vezes, a verdade não passa da miragem do que, realmente, ocorreu. Se pudesse arriscar um percentual, arriscaria em menos de um ponto percentual.
Ela, a verdade, se banha de muitas camadas grosseiras de “eu sei”, “eu vi”, “tá na cara que foi isso”, “é tão óbvio quanto dois e dois são quatro”. De fato, tantos pensamentos e sentimentos desarmônicos, por ignorância ou intencionais, acabam em discórdias, perseguições e guerras.
De onde vem todo o “defeito” da máquina mental humana, que se manifesta através do medo, da raiva, do ciúme, da culpa, da má vontade? De cada cultura? Tem quem arrisque dizer que existem hierarquias no plano físico – uma ordem que dita as regras- e outra no plano espiritual. Há quem diga que é coisa da História da humanidade e há quem defenda os padrões de comportamento herdados e apreendidos.
Fico com a turma que crê em tudo isso acima e um pouco mais. Senão, vejamos: viemos dotados de vários “corpos” e equipados com o instinto de autoconservação. Ele é “o mais forte da natureza humana e constitui a verdade inerente mais poderosa, sempre presente, sempre em ação”.
Por conta disso, tudo o que é comunicado a um povo e é por ele aceito, teve como pressuposto básico sua preservação e sua proteção, em todos os sentidos. Doenças, insegurança pública e jurídica e crises financeiras são exemplos de estado da coisa provocado pela predominância de poderes que prezam pelo reset do Sistema e vão de encontro com o que foi combinado antes com aqueles populares.
Contudo, a lei da vida é a lei do crescimento. O estado de doença, de crise, de conflito armado ou de empobrecimento é a mentira contada, ano após ano, século a século, milênio a milênio. O mestre Jesus ensinou e travou o bom combate. Do que valeu?
Conhecer a verdade deveria significar estar em harmonia com a Inteligência Divina e com o poder infinito da mente humana, sempre em direção à paz e à vida. O que se impregna no inconsciente coletivo provoca o contrário.
De opostos o mau se vale: cria a separação e fustiga a falsa impressão de que é cada um por si. Adotada e bastante disseminada, a impressão dissipa o que é bom, agradável, sadio, inspirador e promissor. Por isso que reconhecer e admitir que o conhecimento do bem e do mal foi o pecado original do Adão e da Eva mantém a humanidade num estado permanente de letargia.
E se a “salvação” viesse por meio do conhecimento? E se o céu fosse alcançado numa experiência mental do homem, assim como o inferno? E se os problemas existenciais pudessem ter origem e fim na própria mente humana? E se…
As perguntas continuam sendo o que fortalece o caminho ao conhecimento. O sentimento sobre o que vai ser feito é o GPS. A harmonia é o território traçado, com início, meio e fim. Fim momentâneo.
Se esse caminho fosse irresistivelmente perseguido por todos, de forma consciente, do nascimento com vida até o falecimento, certamente, a verdade única a cada um permearia livre, leve e solta universo à fora.
Logo, se sou o total de meus pensamentos e, como ser magnético, conduzo a minha vida e do mundo com a mesma intensidade de inúmeras bombas atômicas, posso assumir que contribuo com a evolução humana, a partir de minha verdade.
De modo basilar, a Bíblia compila a verdade que as Leis Naturais impõem. João 8:32 convida ao trabalho e ao conhecimento, mas não aquele doutrinário. De doutrina as denominações religiosas se bastam. O convite é ao conhecimento livre, internamente pulsado e guiado pelo espírito. Algo como “instinto” ou “sexto sentido”.
Nesse percalço, as circunstâncias, mesmo as piores, trazem a verdade que cada um precisa. Basta perguntar e ouvir, quando a mente cala. Investigar de modo correto, científico e espiritual.
A sabedoria, irmã mais velha do conhecimento, sabe disso. Tomar certa distância, respirar um pouco mais e aceitar. O passo seguinte pode ser buscar a verdade, em ação e pensamento.
Nesse sentido, separam- se miragem e conhecimento. E nesse deserto, persigo o risco de, um dia, quem sabe, estar entre aquele um por cento que comeu a maçã.