Conforme se constata, o país escolheu um presidente indisposto a governar e sem qualquer plano de governo. Sua cantilena diária é falar mal da esquerda e conspirar contra a paz política criando os mais inusitados embates, todos sem importância para o país. Já teve entre suas agendas fechar o congresso e o STF, este, segundo ele, por tentar governar ao invés de ser o guardião da Constituição. Lógico que isso é uma falácia típica de quem não exerce a autocrítica, desconhecendo sua própria falta de estatura para dirigir uma nação. Bolsonaro não fala meio segundo sobre seu projeto para o país e sobre economia, devastada pelos deletérios efeitos da pandemia.
O ex-juiz Sérgio Moro, cujas práticas no exercício da magistratura são de arrepiar os mais experientes analistas do judiciário, lança-se como opção para a direita, absolutamente órfã de um projeto político decente para o país. A escolha é bisonha e assustadora. Moro é um despreparado nato para o exercício da governança. Seu discurso não ultrapassa o surrado bordão de combate à corrupção e seus feitos no judiciário revelam um ser voltado para a tirania mais cruel que se pode imaginar. Moro esfola seus desafetos em praça pública sem piedade e com a frieza dos mais sanguinários ditadores. Ainda não balbuciou sequer um indicativo do que pretende fazer com a economia, pauta mais importante para o povo brasileiro.
O cenário para os brasileiros que querem uma opção para a presidência bem inclinada para a direita é desanimador. É um banquete de horrores, indigno para quem decentemente pensa em melhorar o país. Temos um presidente que adquiriu o direito de dirigir uma BMW, mas sequer sabe conduzir um veículo de tração humana. São sucessivas quedas de governança que provocam risos nos mais sisudos dos observadores. Moro é protótipo da opção arrogante para o exercício do poder executivo. Lembra o cara que adquire o melhor material para um piloto de motos, contudo não sabe ligar o veículo, ou seja, é tudo pose. Nesse contexto vale lembrar a observação do eminente professor Dawisson Belém Lopes da Universidade Federal de Minas Gerais, emérito docente de Relações Internacionais e analista político arguto: “a disputa que se anuncia entre Bolsonaro e Moro será, na qualidade argumentativa, digna de um clássico entre XV de Jáu e XV de Piracicaba”. Para quem prefere coisa mais tucuju, é como diria o doutor “honoris causa” Pedro Ramos, anuncia-se um “duelo boboca” nessa disputa.