Moradores de vilarejos no leste da Indonésia, atingidos por um terremoto que matou pelo menos 53 pessoas, aguardavam ajuda nesta segunda-feira (17), enquanto equipes de resgate vasculhavam prédios desabados em busca de pessoas presas sob os escombros.
Milhares de moradores foram retirados após o desastre mais letal do país desde que um terremoto em 2022 matou centenas de pessoas em Java Ocidental; muitas estão abrigadas em barracas ao ar livre e receosas de voltar para casa devido ao medo de novos tremores.
O tremor lançou uma sombra sobre as celebrações do Dia da Independência da Indonésia, e os moradores de Nusa Tenggara Oriental foram sacudidos por quase 1.600 réplicas na província, disse Berton SP Panjaitan, funcionário da agência de mitigação de desastres da Indonésia.
A agência de geofísica do país registrou um terremoto de magnitude 5,6 na região na manhã desta segunda-feira.
O tremor também provocou deslizamentos de terra e bloqueou estradas em toda a província mais ao sul da Indonésia, incluindo as regiões de Sikka e Manggarai.
No estacionamento de um centro de saúde danificado, repleto de barracas e camas hospitalares, em um vilarejo próximo à região de Ende, afetada pelo terremoto, Firmus Woge, um agricultor de 64 anos, recebia tratamento para a asma, agravada pelo pânico provocado pelo tremor.
Ele teve dificuldade para respirar durante a noite, “mas a situação está piorando novamente depois do terremoto desta manhã”, disse ele, ofegante.
Em barracas próximas, Emilianus Oro, um agricultor de 56 anos, relatou que cerca de 70 moradores, em sua maioria mulheres, estavam sem água potável, o que levou crianças a terem diarreia.
Ele informou que uma pessoa idosa sofreu um derrame e que os moradores não receberam assistência.
Em outro local, Veronika Nggambi, de 22 anos, cuidava de seu bebê, enrolado em um cobertor marrom, na carroceria de uma caminhonete, junto com a mãe, já que sua casa não estava mais em condições de habitação.
“Só consigo comer arroz puro”, disse ela. “Precisamos de ajuda o mais rápido possível. Somos apenas produtores de sal.”
Buscas continuam
As buscas continuam nesta segunda-feira, disse Berton SP Panjaitan, funcionário da agência de mitigação de desastres da Indonésia, sem que as equipes de resgate recebessem relatos de pessoas desaparecidas.
Fathur Rahman, chefe do serviço de resgate em Maumere, capital de Sikka, disse à agência de notícias Reuters nesta segunda que as buscas se concentrariam no monitoramento aéreo possíveis desaparecidos, utilizando um helicóptero e um equipamento de extração.
As autoridades prepararam aeronaves para entregar ajuda, como alimentos e barracas, disse Panjaitan.
O terremoto danificou cerca de 500 casas, informou a agência anteriormente.
A Indonésia também construirá hospitais de campanha de emergência em várias áreas, disse Benjamin Paulus Octavianus, vice-ministro da Saúde do país.
Neurocirurgiões e cirurgiões ortopédicos são necessários para tratar traumatismos cranianos e fraturas ósseas, disse Benjamin.
“Eu não penso mais nisso”
Em Jacarta, a cerca de 1.500 km a oeste da zona do desastre, o presidente Prabowo Subianto presidiu, nesta segunda-feira, as celebrações que marcaram a independência da Indonésia do domínio japonês em 1945.
Enquanto isso, moradores que fugiam de uma vila em Ende, temendo tsunamis, levaram suas roupas e colchões para áreas mais elevadas.
Ao ser questionado sobre o que achava das comemorações do Dia da Independência, um morador, Gervas, de 42 anos, disse: “Não penso mais nisso… Só penso na segurança da minha esposa e dos meus gêmeos de 4 anos”.
Fonte: CNN Brasil

