A prefeita da cidade de Arcadia, na Califórnia, renunciou ao cargo nessa segunda-feira (11/5), após admitir atuar como uma agente chinesa na difusão de propaganda da China nos Estados Unidos. Eileen Wang tem 58 anos e nasceu na China na década de 1960. Ela era prefeita na cidade californiana desde fevereiro.
Wang era alvo de uma investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que concluiu que a prefeita estava atuando como “agente ilegal de um governo estrangeiro“. Após a conclusão, a prefeita se declarou culpada da acusação e renunciou ao cargo. Ela pode pegar até 10 anos de prisão federal.
As investigações, de acordo com o órgão, miram um site de notícias que seria coordenado por Wang e Yaoning Sun, também conhecido como Mike Sun, de 65 anos. O site era dirigido à comunicado sino-americana da Califórnia mas, de acordo com o governo os Estados Unidos, era usado para difundir propaganda chinesa.
“Por sua própria admissão, Eileen Wang serviu secretamente aos interesses do governo chinês”, confirmou o diretor assistente Roman Rozhavsky, da Divisão de Contraespionagem e Espionagem do FBI.
Mike Sun também admitiu ser culpado da acusação de atuar como um agente chinês nos Estados Unidos e, desde outubro de 2025, passou cumprir pena em uma prisão federal dos EUA. Ele foi condenado a quatro anos prisão. Eileen Wang ainda deve comparecer ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos, no centro de Los Angeles, para reconhecer sua culpa e receber uma pena pelo crime.
Site para propaganda chinesa
Ainda segundo as investigações, uma série de conversas mostram que Wang e Sun recebiam artigos prontos para serem publicados no site U.S. News Center. A prefeita de Arcadia, de acordo com o órgão, admitiu que, entre 2020 e 2022, a dupla trabalhou sob a coordenação de funcionários diretos da República Popular da China.
Em um exemplo dessa dinâmica, em junho de 2021, um funcionário do governo chinês contatou Wang e outras pessoas por meio de um grupo no aplicativo de mensagens WeChat — rede social chinesa que se assemelha ao WhatsApp. Na mensagem, o funcionário envia um artigo já escrito sobre a “Posição da China sobre a questão de Xinjiang“.
“Não há genocídio em Xinjiang; não existe ‘trabalho forçado’ em nenhuma atividade produtiva, incluindo a produção de algodão. Espalhar esse boato tem o objetivo de difamar a China, destruir a segurança e a estabilidade de Xinjiang, enfraquecer a economia local e suprimir o desenvolvimento da China”, diz trecho texto divulgado pelo Departamento de Justiça.
Após a publicação do artigo, Wang e outros integrantes do grupo enviam links do material já publicado para esse funcionário, que reage: “Muito rápido, obrigado a todos”. Em outro diálogos, o governo norte-americano alega que Wang chegou a dar feedbacks sobre o alcance de leitura dos artigos publicados e chamou esse funcionário de “líder”.
Fonte: Metrópoles

