As escolas de negócios, as universidades e os institutos de pesquisas, tem ensinado para os pesquisadores e o público em geral que para uma grande inovação vir à tona não é preciso reinventar a roda. É uma advertência aparentemente singela, mas de uma profundidade expressiva. Reinventar a roda, normalmente, consome tempo, dinheiro e não traz resultados imediatos. No setor público, então, essa equação adquire contornos terríveis, posto que, de regra, torra-se vultosos recursos do cidadão pagador de impostos. Às vezes, um simples ajuste nos velhos processos de gestão pode trazer resultados extraordinários, superando as práticas vetustas e improdutivas até então adotadas. A Prefeitura de Macapá acaba de trazer uma solução de gestão que reforça a tese de que não é preciso reinventar a roda para inovar: aproveitou o ocioso Ginásio de Esportes do bairro Santa Inês e o transformou numa nova Unidade Básica COVID Santa Inês que funcionará para atendimento exclusivo de casos de coronavírus.
Qualquer consultor de inovação, de mediana categoria, não deixaria de elogiar a tomada de decisão do Prefeito Clécio Luiz pela inovação embutida no ato administrativo de transformação de um Ginásio de Esportes, subaproveitado, edificado numa localização estratégica, em um centro de referência de saúde, efetivado num crítico período de pandemia. A originalidade está em transformar, em curto espaço de tempo, um patrimônio público de escasso valor social, em visível estado de abandono, em um local de inestimável valor estratégico para o atendimento em saúde, num período pandêmico, com reduzidos recursos financeiros e com a nobre pretensão de ser uma unidade de referência.
É esse comportamento inovador – sem a busca de criações extraordinárias – que norteia a orientação dos pesquisadores nesse específico recorte da gestão pública ou privada. A inovação do Prefeito Clécio Luiz está justamente em apontar uma solução prática para um problema crônico da gestão pública de saúde que é a ampliação de sua estrutura física, com os reduzidos recursos que dispõem os gestores públicos para essa específica finalidade. A nova unidade básica de saúde foi implantada com pouco mais de 500 mil reais de recursos públicos, investimento pequeno diante da envergadura social do empreendimento. O estalo inovador do gestor municipal apresenta os diferenciais de uma tomada de decisão que prestigiou tempo, espaço e redução de recursos públicos. Como se percebe, não houve necessidade de se reinventar a roda para uma ação célere, eficiente e de baixo custo, atributos quase utópicos na gestão pública.
O caso da unidade básica COVID Santa Inês constitui-se num raro case de sucesso em inovação na gestão pública. Ao propor, como orientação de gestão, a utilização racional dos espaços públicos, transformando espaços públicos ociosos em espaços públicos produtivos e funcionais, impõe uma nova visão gestacional. Cabe agora ao Poder Público Municipal não retroceder na utilização dessa proposta inovadora, encartá-la no seu portfólio de medidas que prestigiam a inovação como meio para que a gestão pública alcance a sua plenitude em ser, de fato, instrumento eficaz para assegurar o bem-estar coletivo, com a utilização responsável dos recursos públicos, na sua mais ampla dimensão, sem a necessidade de reinventar a roda.
NÃO É PRECISO REINVENTAR A RODA
