Pazuello é um gestor bufão, daqueles que os outrora denominados subordinados, hoje chamados de colaboradores da gestão, tem sempre pauta negativa para o happy hour diário. Não tem uma agenda técnica ou política própria, fica sempre aguardando o estalo de dedo de quem jurou fidelidade para começar a agir. A condução da pasta da saúde em tempo de pandemia exige um gestor que tenha capacidade de coordenar ações dentro de um cenário desconhecido, balizamento científico rigoroso, espírito de equipe e determinação para enfrentar os gargalos, próprios de um período difícil.
O Ministro da Saúde é uma verdadeira vergonha alheia nacional que macula o espírito verde oliva com sua capacidade de não ter nenhuma estratégia definida para o combate à pandemia, numa negação da organização militar a qual pertence. Está, claramente, passando uma chuva no ministério para impossibilitar que outro nome, que desagrade o presidente, ocupe a pasta. É uma missão inaceitável para um General do Exército, cuja fim ultimo de sua existência é defender a pátria e não ideias de pessoas. Se sujeitar a isso é jogar no lixo a doutrina militar e comprometer a própria reputação.
Ocorre que no atual governo há sempre a possibilidade de piorar a coisas quando há manifestação pública da equipe de Governo. Pazuello confirmou essa lógica ao se manifestar em Manaus sobre o Plano Nacional de Vacinação e o início das vacinações no Brasil. Como se sabe, Manaus experimenta o nefasto resultado da insanidade de bolsonaristas que insuflaram a população para pressionar o governador a revogar as medidas restritivas de combate à pandemia. Nesse cenário de horror, Pazuello, em tom solene, como se estivesse na frente da tropa, respondeu aos jornalistas que a vacinação no Brasil começaria “no dia D na hora H”, tão preciso quanto a direção das nuvens durante uma tempestade.
Essa afirmação foi o blefe retórico, próprio de quem foi escalado para tapar buraco e mentir na pasta mais importante em tempo de pandemia. Não é de se acreditar que um ministro da saúde se exponha tanto para ser fiel ao presidente. Esse desdém ao povo brasileiro, que morre à mingua, em face de uma postura inadequada do governo frente ao covid19, deixa a sociedade sem esperança. Nessa hora é bom recordar o cancioneiro popular Paulo Ricardo, que na sua música “O Dia D, a hora H”, diz: “Eu sinto no ar que está por vir/um temporal que vai nos redimir/vai nos libertar, vai nos livrar/de todo mal que quer nos atingir”, Isso sim, vale a penar ouvir!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)
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