É apenas a velocidade dessa rotação que mudou.
Ninguém precisa se preocupar ou apavorar porque o núcleo da terra está desacelerando. Essa mudança na rotação pode ter consequências para a duração dos dias na Terra, alterando-os em frações de segundo, imperceptíveis para o público em geral. De acordo com o site do Brasil Escola a estrutura do planeta Terra é formada por três camadas principais, que são a crosta, o manto e o núcleo. Conforme veremos em detalhes na sequência, cada uma dessas camadas apresenta características particulares, como composição química, espessura, densidade, viscosidade e temperatura. As suas propriedades distintas fazem com que o comportamento de cada uma das camadas da Terra também seja distinto.
A crosta terrestre é a camada mais superficial e de menor espessura do planeta Terra, e pode ser chamada também de litosfera. A crosta terrestre pode ser dividida em duas partes: Crosta continental que é a parte mais espessa da crosta terrestre, variando de 30 a até 70 km de espessura. Os maiores valores correspondem a áreas de grandes cordilheiras, como os Andes e os Himalaias, por exemplo. Crosta oceânica é a parte de menor espessura da crosta terrestre, variando entre 4 e 7 km.
O manto terrestre é a camada intermediária do interior da Terra. Ela fica situada entre a crosta terrestre e o núcleo, iniciando a partir de 100 km de profundidade contados a partir da superfície. A espessura total do manto pode chegar a 2900 km, dividindo-se em duas partes, manto superior e manto inferior. Em algumas fontes é possível encontrar ainda uma nova subdivisão, que é o manto intermediário ou transicional.
O núcleo terrestre é a camada mais interna da Terra, situada abaixo do manto inferior. De formato esférico, o núcleo apresenta diâmetro de aproximadamente 3480 km, com profundidades de até 6380 km, e corresponde à camada de maior densidade do planeta: 10,6 g/cm³. A elevada densidade do núcleo terrestre é atribuída à sua composição química, que consiste em uma liga metálica que se acredita ser formada por níquel e ferro. As temperaturas no núcleo podem superar os 5000 °C.
A CNN publicou, em 13/06/2024, o artigo “Núcleo da Terra está desacelerando e duração do dia pode mudar, sugere estudo”, assinado por Gabriela Maraccinida. Transcrevo trechos.
Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) provaram, em um novo estudo, que o núcleo interno da Terra está desacelerando em relação à superfície do planeta. As consequências disso ainda são desconhecidas, mas pesquisadores especulam que a duração dos dias pode mudar. A pesquisa foi publicada na quarta-feira (12/06) na revista científica Nature.
A rotação do núcleo interno da Terra tem sido tema de debate pela comunidade científica nas últimas décadas, com algumas pesquisas sugerindo que ela é mais rápida do que a superfície do planeta. Porém, o estudo da USC fornece novas evidências de que, na realidade, o núcleo interno está diminuindo sua velocidade de rotação desde 2010, movendo-se mais lentamente do que a superfície da Terra.
Para John Vidale, professor-reitor de Ciências da Terra na Faculdade de Letras, Artes e Ciências da USC Dornsife, essa lentidão no movimento nuclear pode alterar a duração de um dia em frações de segundo, mas isso pode ser imperceptível. “É muito difícil notar, na ordem de um milésimo de segundo, quase perdido no barulho dos oceanos agitados e da atmosfera”, afirma. O que é o núcleo interno da Terra e como ele se movimenta?
O núcleo interno da Terra é uma esfera sólida composta por ferro-níquel e cercada por um núcleo externo líquido, também de ferro-níquel. Ele tem, aproximadamente, o tamanho da Lua e está localizado a mais de 4.800 quilômetros dos nossos pés, representando um desafio para os cientistas, já que não pode ser visitado ou visualizado. Por isso, os cientistas usam a onda sísmica de terremotos para criar representações do movimento do núcleo interno.
Nas últimas décadas, os pesquisadores estudaram diversos abalos sísmicos, incluindo terremotos repetidos — eventos sísmicos que ocorrem no mesmo local. Essa análise é importante para produzir sismogramas (registros dos movimentos do solo) idênticos. Para este estudo, os cientistas compilaram e analisaram dados sísmicos registrados em torno das Ilhas Sandwich do Sul de 121 terremotos repetidos que ocorreram entre 1991 e 2023. Eles também utilizaram dados de testes nucleares soviéticos que ocorreram entre 1971 e 1974, além de testes nucleares franceses e americanos, e testes analisados por outros estudos. De acordo com Vidale, a desaceleração da velocidade do núcleo interno foi causada pela agitação do núcleo externo que rodeia o núcleo interno. Isso gera o campo magnético da Terra, bem como os “puxões” gravitacionais das regiões densas do manto rochoso sobreposto.
‘Quando vi pela primeira vez os sismogramas que sugeriam esta mudança [desaceleração], fiquei perplexo’, afirma. ‘Mas quando encontramos mais duas dúzias de observações sinalizando o mesmo padrão, o resultado foi inevitável. O núcleo interno desacelerou pela primeira vez em muitas décadas. Outros cientistas defenderam recentemente modelos semelhantes e diferentes, mas o nosso estudo mais recente fornece a resolução mais convincente’, finaliza Vidale.
Nem todos os cientistas concordam com o tom assustador do noticiário como é o caso do astrônomo Phil Plait no Twitter:
‘Todos os artigos que vi têm isso completamente errado’. Eu não posso ser muito duro com os redatores aqui. Eu mesmo cometi erros semelhantes. E saindo apenas do resumo do estudo em questão, é fácil ver como os erros foram cometidos. Ele fala de padrões nos dados que sugerem ‘que a rotação do núcleo interno parou recentemente’ e que ‘parece estar associada a um retorno gradual do núcleo interno’. Você pode até encontrar comunicados de imprensa de pesquisas anteriores sobre a rotação do núcleo que parecem sugerir que ele muda de direção, o que Plait diz ser enganoso.
‘É apenas a velocidade dessa rotação que mudou’, escreveu ele em 2022. É como ultrapassar um carro na estrada; para você parece que está se movendo para trás, mas para alguém no chão está apenas se movendo mais devagar do que você. A perspectiva é importante aqui. Quando os cientistas falam sobre a rotação do núcleo interno ‘voltando’ ou ‘retrocedendo’, eles estão se referindo à sua oscilação entre um estado de super rotação (girando mais rápido que as camadas externas) e sub rotação (girando mais devagar), mas está sempre indo a mesma direção.
Nada ocorre por acaso aqui no nosso ‘planetinha’ que volta e meia envia mensagens que como as pitonisas no passado precisam se decifradas. Ao longo dos milênios desde o seu surgimento o nosso planeta sofreu milhares de transformações que os seres humanos, de uma forma ou de outra, conseguiram interpretar sem o auxílio de renomados cientistas. A interpretação prévia possibilitou o exercício da auto preservação e a adaptação aos dias cruéis que teriam que enfrentar no futuro.
Hoje a visão com ‘antolhos’ da comunidade científica climática está voltada para a interferência humana nas questões de alterações climáticas, do aquecimento dos mares, do excesso de CO2 na atmosfera e da necessidade de uma mitigação impossível de fenômenos naturais que ocorrem há milênios. Enquanto isto os sinais de mudanças planetárias continuam a ocorrer sem que a ciência séria, emparedada pela climática, sem nenhum alarde começa a interpretar os sinais que saltam à vista e alguns esclarecidos emitem alertas para olhos cegos e ouvidos surdos.
“Estamos mais sujeitos de acabar devido à explosão de uma fenda geológica do que pela queima de todo o combustível fóssil existente no mundo”, Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.