Se a mente, como propõe Nicolelis, tem a sublime função de criar realidades, os apoiadores do presidente fazem exercício real dessa proposição científica. Saindo do campo cientifico sério para a galhofa política, concreta realidade do movimento dos bolsonaristas, tem-se a triste realidade de que o Brasil perdeu o rumo. De fato, o presidente, que tem repetido o enjoado bordão de que só agirá “dentro das quatro linhas da Constituição”, tem proposto e agido no sentido contrário de seu bordão preferido. Estimula carreatas e motociatas para disseminar ideias absurdas como, por exemplo, de que é necessário fechar e, pasmem, destituir o STF, por ser considerado algoz de seu governo.
Enquanto o preço da gasolina, do feijão e da carne são parâmetros para o brasileiro comum de que a vida do cidadão piorou com o atual governo, o presidente vai criando realidades para ludibriar a atenção da distinta plateia. Nada o demove da ideia de pensar de que governar o país é criar ambiente hostil para a economia, para a política e para o bem-estar do povo. Para ele, uma bronca por dia é pouco. Tem que produzir mais querelas, mais sopapos retóricos e menos solução para os problemas reais do país. Sua mente trabalha incessantemente para criar realidades que prestigiam o obscurantismo e o atraso.
Dia 7 de setembro – para os governistas irados – será o dia em que o planeta saberá de que lado está o povo brasileiro no apoiamento político. É uma criação cerebrina interessante porque revela o que uma horda política é capaz de aceitar. É uma construção coletiva da mente humana que reforça o pensamento de Nicolelis no sentido do perigo que representa para a humanidade em não reconhecer a importância do papel do cérebro na convivência diária.
O desafio para a maioria dos brasileiros que – diga-se – não é operária dessa construção mental macabra do dia 7 de setembro, é construir uma realidade diferente, inibindo a manifestação que faz apologia à guerra como pressuposto de que só ela pode produzir a paz, pregando a fraternidade, o amor e a paz universal. Se Nicolelis estiver com razão em sua proposição, então é hora de se construir, por operação mental coletiva e eficiente, um novo país a partir do pressuposto da virtude como pilar de um bom governo.