Conheça fotos e relatos sobre a questão abaixo tratada na página /DepMarcosReategui do facebook. Contribuições e questionamentos serão recebidos através do e-mail [email protected]
• Com pompa e circunstância, o governo estadual inaugurou aquele que deverá ser o segundo centro destinado a receber as pessoas infectadas pelo Coronavírus. Assim, depois do espaço onde funcionava o CDT, o governo do estado apresenta um outro lugar para o qual a população acometida pela pandemia poderá se dirigir. Parece bom, afinal, em tese, teremos não apenas um centro destinado às vítimas do coronavírus, mas dois! Parece que o governo está trabalhando. Só parece…
• Ocorre que o local escolhido pelo governo para receber o segundo centro de enfrentamento ao Covid-19 estava destinado a ser uma maternidade, que atenderia a zona norte da capital. Na má gestão estadual o cobertor é sempre curto, deixa de atender inúmeras grávidas para dar a impressão que está trabalhando. Por que não fizeram o correto? Um convênio e a conclusão do meu trabalho no Hospital Universitário, considerando que todos os recursos são federais?
• Mas, apresentou-se mais do mesmo, má gestão do governo estadual. Repetiu-se o erro da criação do primeiro centro de enfrentamento ao Covid-19, quando escolheram prejudicar pessoas que se tratavam de tuberculose, HIV, meningite e outras moléstias também muito graves. Essas famílias estão pedindo socorro. Mas, não há ouvidos para ouví-las e nem quem fale por elas, afinal, a única notícia que merece atenção da mídia é o coronavírus. E o governo é movido pelas notícias, e pela possibilidade de gastar com amigos o dinheiro público, não pela dor e pela morte dos amapaenses.
• Quanto às grávidas, deixaram de fazer o pré-natal e ficaram sem atendimento. E isso tem consequências nas mães e nos que irão nascer. A completa ausência de exames nas mães, e nos nascituros, impede diagnósticos de doenças cujas consequências poderiam ser evitadas, como bolsa rota, infecção urinária e outras que, não tratadas a tempo e modo, podem conduzir a parto prematuro, e outras complicações, como morte da mãe e do nascituro.
• A pressão que as grávidas e suas famílias legitimamente fizeram, por conta própria, gerou a organização de uma UBS no Congós e outra no norte da Cidade, ainda não confirmei se no Bairro Perpétuo Socorro, para atende-las. Mas, essas grávidas não foram agendadas e não se considerou onde residem. Tiveram que andar de ônibus para dirigir-se aos postos de saúde. E lá, em razão da falta de organização, entraram em filas. Tanto na lotação, quanto nas filas das UBS as grávidas expuseram a si, e aos frutos de seus ventres, a toda sorte de doenças, inclusive ao coronavirus. Parece coisa do demônio…
• A agenda de pré-natal e puericultura é prioritária no Governo Federal. Para evitar a morbimortalidade materna e neonatal (morte das mães e recém-nascidos), o Governo Federal disponibiliza recursos para que os procedimentos (pré-natal) sejam realizados. Cada UBS tem cerca de quatro a cinco equipes que atendem de dez a quinze gestante. Para atender com qualidade às pacientes, bastava fazer um levantamento em cada Unidade de Saúde e estabelecer uma agenda especial, na unidade mais próxima da residência da futura mãe, com horário específico e atendimentos diluídos nos dias da semana. Mas, isso seria exigir demais para quem pratica má gestão há décadas.
• O péssimo atendimento às mulheres grávidas se estende, também, às crianças, idosos, e pessoas com organismo debilitado em geral, como hipertensos, diabéticos, transplantados, renais crônicos, todos relegados a segundo plano a partir da neurótica fixação na pandemia coronavirus.
• A crise causada pela pandemia veio escancarar o quão despreparado, sem planejamento e sem capacidade de gestão é o governo atual. Em condições normais, o Amapá já apresenta uma rede de saúde pública sucateada, que deixa abandonados à própria sorte aqueles que precisam de coisas básicas, incluídas cirurgias eletivas. Os casos graves e urgentes, então, são tantos, que, com sua exposição na mídia, principalmente nacional, levou a um fenômeno estranho: o povo passou a aceitar como normal a má gestão, que gera pessoas amontoadas em corredores, grávidas dando à luz dividindo leito e a falta de UTIs, condenando à morte quem delas necessita.
• Os vários anos de governo sem investimentos para melhorar a estrutura da saúde pública do Estado criaram as condições para que a chegada inesperada da pandemia escancarasse, através da falta de atendimento, que gera mortes, a incompetência das gestões estaduais, especialmente da atual que, em quatro mandatos (16 anos), foi incapaz de traçar um plano, seja de curto, médio ou longo prazo para o desenvolvimento da oferta de saúde em nosso Amapá.
• O resultado é o que vemos: na pressa de mostrar trabalho para combater o Covid-19, abandonou-se todas as outras necessidades quanto a saúde. O governo não quer eficiência e resolutividade em sua atuação, quer mídia. Quer poder fazer uso dos recursos prometidos, e enviados, pelo Governo Federal e, para tanto, apresenta locais improvisados como se fossem hospitais de excelência. Na verdade, se quisesse mesmo ser efetivo em sua gestão, bastaria ao governo ter ajudado meu trabalho para inaugurar o Hospital Universitário, com capacidade para atender a antiga e toda essa nova demanda que agora surgiu em nosso estado.
• Nesse contexto, o povo do Amapá, amedrontado e atento, acompanha cada vez mais as redes sociais e começa a despertar para as consequências da má gestão e desvio de recursos públicos. Os governantes de todos os poderes precisam admitir que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências… É questão de tempo! Eu não pagaria para ver!