Neste artigo, tratarei da equação da morte, pois, no Amapá, ser pobre, ficar doente ou sofrer acidente é risco certo para muito sofrimento e até antecipação da hora da morte, nada obstante isso possa ser afastado pelo estágio atual da medicina.
Como esclareci noutros artigos, continuo lançando as bases de questões que são consubstanciadas com os fatos cuja prova ou conhecimento público os sustente, os quais poderão ser mudados com a contribuição de todos aqueles que desejarem se manifestar através do e-mail [email protected] Dentre esses fatos, destaco:
1) O Amapá oferece, senão a pior, certamente uma das piores coberturas de saúde pública do Brasil. O cidadão não tem atendimento básico, muito menos de média e alta complexidade ou de especialidades, pois faltam recursos materiais, humanos e instrumentais, tudo em função da má gestão dos outrora abundantes recursos que vão minguando com a saída dos servidores da União.
2) Como demonstrei em artigo anterior, o Constituinte Nacional foi sábio e generoso com nosso povo ao criar condições para que nossos Governantes desenvolvessem a região e transformassem nosso Estado num dos mais pujantes e modernos da Federação brasileira, com a possibilidade de ser modelo para a União. Fez isso mediante destinação constitucional de verba pública que as demais unidades não possuem, qual seja, o pagamento da folha de servidores da União a disposição do Amapá. Essa verba, que soma muitos bilhões, sem dúvidas, foi mal gerida. Mas, além de má gestão, possível desvio para finalidades privadas, também pode ter contribuído para o caos em que se encontra hoje a saúde publica do Amapá, circunstância que caracteriza crime de genocídio contra o povo do nosso estado.
3) Assim, na madrugada, podemos constatar filas para marcar consultas, exames, cirurgias eletivas, Tratamentos Fora do Domicílio –TFD e, a qualquer hora do dia e da noite, podemos fiscalizar a falta de insumos e medicamentos nos atendimentos de emergência. Simples visita aos estabelecimentos públicos demonstra essa realidade triste e inaceitável, que virou rotina, e cujo sofrimento dela decorrente é ignorado pelo povo – de quem foi brutalmente subtraída a humanidade, até que alcance alguém da família, momento em que individualmente o amapaense fica indignado junto com seu círculo de amigos, e ignorado pelos demais, num ciclo nada saudável, que atinge todos aqueles que não têm poder financeiro para buscar saúde noutro lugar, ou simpatizantes com influencia para “furarem” a fila de tratamento.
4) Para entendermos a situação atual, temos que viajar no tempo e analisar a situação da oferta de saúde no ano em que o Amapá foi transformado de Território em Estado, através da Constituição Federal de 1988. Naquela época, Macapá era a “Cidade Joia da Amazônia”, A saúde era de qualidade e ofertada para uma população de menos de 233 mil habitantes em 1990, segundo IBGE. Esse mesmo Órgão registra que hoje o Amapá está com mais de 860 mil habitantes que, somados aos cerca de 200 mil que vêm das ilhas do Pará, totalizam mais de 1 milhão de almas que buscam atendimento pelo SUS na rede pública do nosso estado.
5) Por ocasião da transformação do Território em Estado do Amapá, a farta oferta de saúde decorria de 5 grandes Instituições Públicas: Hospital Geral de Macapá, Maternidade de Macapá, Hospital de Pediatria e 2 grandes Prontos Socorros – o de Macapá e o de Santana, cidades que concentram, desde aquela época, 80% da população, conforme dados do IBGE.
6) Passados mais de 30 anos da transformação do Território em Estado, o Amapá continua tendo as mesmas 5 grandes instituições de saúde. Agregaram-se “puxadinhos” e mudaram-se os nomes: temos agora o HCAL, o PAI, a Maternidade Mãe Luzia e os dois grandes prontos socorros passaram a ser denominados HE, em Macapá e Hospital Estadual de Santana, na Cidade de mesmo nome. Juntaram-se àqueles as UBS e UPAS, mas estas se limitam à atenção básica apenas.
7) No contexto histórico, portanto, os dados públicos demonstram que, enquanto o número de habitantes aumentou quase cinco vezes, a rede de saúde do Amapá se manteve igual, estagnada. Logo, somente um milagre como o da multiplicação dos pães poderia permitir que a mesma estrutura de saúde, que servia satisfatoriamente a 233 mil pessoas, passasse a servir, nas mesmas condições, a mais de 1 milhão. Portanto, como nunca tivemos o Nazareno administrando o Estado, é fácil entender o quadro de desolação, dor e morte instalado na saúde do Amapá, onde assistimos seres humanos terem membros amputados, funções perdidas, ou mesmo morrendo, vitimados, não pelas doenças, mas pela falta ou deficiência de atendimento decorrente da má gestão e corrupção.
8) Como sabemos, esse quadro poderia ter sido pintado noutra tonalidade, caso os administradores públicos do Amapá tivessem utilizado a enorme receita extraordinária, que continua até hoje chegando nas contas do estado, para fazer as reformas estruturais que permitiriam o desenvolvimento e um futuro social, econômico e financeiro para nossa gente.
9) Mas, escolhemos mal nossos representantes e, até hoje, não cumprimos nosso dever de fiscalizar os gastos públicos. O cidadão amapaense não conhece nada sobre o orçamento público. Não sabe que naquela peça se encontra registrado quanto poderá ser utilizado para serviços de saúde, transporte, educação e segurança públicos. Não sabe que alí está registrado quanto será gasto no interesse do povo e quanto será gasto no interesse pessoal das autoridades que governam o Amapá.
10) O povo precisa mudar sua postura. Deixar de vender o voto ou trocá-lo por um cargo público de confiança, sob pena dos amapaenses pagarem elevado preço: PERDEREM A PRÓPRIA VIDA ou de seus ENTES QUERIDOS.
11) O quadro descrito interessa a todos os que aguardam consultas médicas, cirurgias eletivas, medicamentos, insumos, fisioterapia, radioterapia, quimioterapia e a todos os demais amapaenses, pois estamos no mesmo espaço de risco à nossa segurança. Os governantes de todos os poderes têm de tirar a venda dos olhos. Acabar com o faz-de-conta e ver que a política praticada não é mais suportável. Os Sans-culottes do Amapá irão derrubar o Setentrião e adjacências pelo voto…é questão de tempo! Eu não pagaria para ver!