Sempre fomos levados a crer que somos nós, com maioria, que supostamente resolvemos o destino maior, estabelecendo projetos nacionais, rumos da república que implantamos e escolhendo governantes. E aí bem vale o supostamente… uma vez que a própria república foi certamente instituída por alguns poucos oposicionistas ao Império, e ambiciosos do poder. O povão, na verdade, assim como o Brasil inteiro, nem sabia o que estava acontecendo. Sagazes políticos (sempre eles) acordaram um sonolento Marechal, que montou num cavalo, tirou o boné e pronto, estava declarada a República em nome do “povo”…
Saíramos então, de uma não muito cara independência, vencida na esculhambação, e por motivos óbvios esquecida na história, onde um bêbado corneteiro com ordens de tocar acovardada retirada, se confundiu e dado toque de avançar sobre tropas portuguesas, então quase vencedoras em Salvador, que assustadas, não acreditando ser coisa de pinguço doido, renderam se aos soldados do novo Imperador, do que seria a Nação brasileira.
Tais episódios ajuntaram-se a outros tantos, formando nossa tradição de pouca seriedade e vergonha, misturadas a doses de loucuras, forças, ilusões e até mesmo fraudes, ditas em nome do povo, perpetrando acontecer uma política de dramas e constantes faz de conta, onde governantes administram com suas vontades e conveniências, inda que para minorias ativistas, facções reivindicantes ou a “globalizadas“ pressões internacionais. E quanto ao povo, oh!!!
Sabe-se que o melhor nascedouro e berço político da humanidade estão na juventude, como também historicamente reconhecemos que neste exercício os jovens não só cometem acertos, mas também erros fenomenais. Faz parte do crescimento, da militância no jogo político. E isso já é muito bom, pois já acertam ao buscar aprendizado apenas compartilhando. Já calham aguçar inteligências e curiosidades, para adubar com elas um futuro melhor e maior discernimento ao trato da manutenção da estrutura do país e povo, na composição de um verdadeiro Estado…
Entretanto… somos o país dos “entretantos”…
Aconteceu por aí, um “conserto” ou “revolução”, ou “golpe militar”, que extraiu do meio juvenil, leia-se escolas, suas constantes e inferentes participações políticas. Considerados mesmo, mais poderosos que partidos políticos, pois que se apoiavam e vendiam saudáveis e verdadeiros ideais, nunca interesses outros fisiológicos ou pessoais. A alegação era de que os jovens têm ideias demais. Sem freios, sempre perigosos opositores, bem organizados em uniões estudantis municipais, estaduais e nacionais.
Passados tal período e regime, como queiram, a verdade é que se esqueceram de voltar a eles a chama do interesse. As próprias escolas não gostam muito, hoje, de vê-los muito politizados. Uma pena! Ao excluí-los, se exclui a lisura de todo o processo da organização social, principalmente a vigilância intempestiva, mas fortuita, daquilo que é interesse coletivo. E aí sim, mais que exclusão social, procede-se a eliminação
política da melhor fonte e forja disponível ao seu serviço, que são as relações sócio estudantis e os bancos das escolas.
Sem seleções, referência de valores ou valores para referências não conseguimos nos estruturar e formar estadistas para gerirmos a Nação. Avacalhou se tudo, até na colheita política da seara estudantil. Exemplo, dois bons, buscados na arqueologia da militância estudantil: Dilma e Serra, se lembram deles?
Dilma, arrivista política e voluntariosa guerrilheira armada das ruas, indomável no poder e comando do país, teve o nome sacado da algibeira do sócio Lula. Nenhuma carreira expressa da vontade popular a escolheu. O Lula, grande tuxaua, bem acima de seu próprio partido, é quem assim o quis. Pois é, não discuto tramoias ou acertos, mas a senhora foi cassada e Lula preso…
O outro, o José Serra, se guerrilheiro não foi, era presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) quando os militares tacaram fogo nela. Escapou para o Chile e voltou político, com longo aprendizado em oposição, mas sempre algo junto a qualquer poder. Como a direita não tinha vez, ia ele, dizendo ser mais a esquerda do que o próprio esquerda. E pelo menos era… nem sei mais. Hoje senador, polícia está atrás dele. Culpado, também não sei…
Os dois, apenas modernas crias de um sistema na essência vicioso e cobiçoso.
Num desorientado princípio de poder político, nos tornamos uma Nação onde sem penalizar irresponsabilidades com falta de cuidados, cultura ou saber, se permite professar loucuras administrativas, muitas delas voltadas apenas à possível continuidade, fazendo prosperar decisões sobre toda uma sociedade sem grande respeito à sua vontade ou mesmo existência.
Mas, há lugares em que cornetas nunca tocam…
Amazônia, 56% do território dito nacional, mas ela e seu povo não formam o Brasil, apenas gente moradora não opinativa em uma terra apropriada pela maioria mandataria, nem tão democrática, lá dos restantes 44%.
A NAÇÃO ACIMA DO BRASIL, DEUS ACIMA DE TODOS
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.