A cegueira física que foi lhe acometendo não o impediu, ao contrário, ela refinou seu senso de sensibilidade para viajar nas palavras e encontrar os sentidos ocultos ou a falta de sentido dos idólatras e fanáticos, além dos descaminhos submersos na escuridão da surreal inversão das promessas da vida original, que seriam alegrias e felicidades.
Borges traduz os sentimentos da humanidade perdida em um labirinto de enganos, inverdades e transgressões de sua essência de amor e racionalidade, através de um fantástico labirinto de palavras mágicas e incandescentes, fazendo fluir as lavas de vulcões de pensamentos de brilho argênteo.
Há em seus contos uma ramificação dos seus pensamentos apurados, resultantes de constante busca de saber no contexto universal da cultura vivenciada no dia a dia de províncias de qualquer longitude ou latitude.
Há em seus poemas a cifração das definições de constatações do Borges observador nato e relator de sínteses fluentes: “Se (…) O nome é o arquétipo da coisa, já nas letras de rosa está a rosa. E todo o Nilo na palavra Nilo” (O Gólem).