Na semana passada cenas como a do Deputado Eduardo Bolsonaro que partiu para agredir um colega deputado, só ratificaram que tanto a Câmara dos Deputado como o Senado Federal têm de cuidar do comportamento dos parlamentares dentro de uma baliza ética rigorosa que precisa ser criada. A extrema direita vem, desde 2018, tentando implantar a figura do parlamentar cangaceiro, aquele que, de arma na cintura, desafia os mais comezinhos princípios dos direitos humanos e age como sargento do interior em que sua violência é justificada pela suposta paz do lugar. Só que essa prática é feita pelos parlamentares na frente das câmeras dos meios de comunicação e de suas próprias câmeras de celulares, como testemunhos irrefutáveis de suas condutas nefastas para a democracia.
A violência tem sido incentivada pelos representantes do povo e, infelizmente, o resultado são lares e, agora, escolas correndo o risco de serem laboratórios das lições pregadas pelos parlamentares da bancada do ódio. Parlamentares deixaram de ser agentes políticos conectados com alguma ideologia para serem agentes do ódio gratuito que produz crianças e adolescentes prontos para agir com a mais cruel violência. O pior, é que mesmo diante desse cenário sombrio os agentes do ódio com mandato ainda sustentam que o uso de armas é o remédio contra o próprio mal que ajudam a produzir.
O Presidente da Câmara Federal Arthur Lira e do Senado Federal Rodrigo Pacheco têm uma missão espinhosa que é conter os ímpetos não republicanos dos parlamentares cangaceiros que agem como verdadeiros marginais com mandato. Algum instrumento republicano tem de ser criado para filtrar as condutas abusivas de parlamentares que, longe do exercício normal da atividade parlamentar, fletem para a tirania parlamentar que incentiva a morte de estudantes e vulneráveis com a propaganda deliberada do ódio. O Brasil precisa virar a chave. Como disse Mandela: “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. Que a pedagogia do ódio seja substituída pela pedagogia do amor. Ainda há tempo!