O desfile Oficial das Escolas de Samba é, sem dúvida, o espetáculo mais esperado pelo público amapaense que aprecia o carnaval. Este ano o investimento inicial é de R$ 3,5 milhões de reais. Não há estudos sobre o impacto na economia desse investimento feito por órgãos oficiais, o que revela que o evento ainda não desperta o interesse estratégico do Governo do Estado. As escolas de samba estão se reestruturando, eis que o último evento foi em 2021, promovido pela Prefeitura Municipal de Macapá, em um espaço alternativo ao lado do Estádio Zerão. O resultado do evento, com investimento de R$ 1,7 milhão, não foi divulgado pela organização do espetáculo.
Esse ano, embora o Governo do Estado tenha manifestado interesse em fomentar o evento ainda no ano passado, o desfile oficial será realizado em meio a um cipoal de obras do Governo do Estado e da Prefeitura de Macapá na área do evento e no entorno. Certamente se a LIESAP insistir em realizar o evento em meio às obras inacabadas, já sabe que inúmeros serão os transtornos, tanto de logística do desfile quanto de acomodação do público e do estacionamento. Será um evento feito na marra, como se o calendário tivesse que ser cumprido a qualquer custo. Poder-se-ia cogitar de esperar a finalização das obras para o evento se realizar, mas, há noticiais de resistência da LIESAP e de algumas escolas, numa demonstração de que a preocupação é cumprir o calendário e não realizar um espetáculo que tenha bons resultados com a movimentação da cadeia produtiva.
Na verdade, há muito vem se cogitando de criar um espetáculo cultural com raízes no carnaval, genuinamente amapaense. Quando estive na presidência da LIESAP no período de 2017/2019, propus a realização do “Carnaval Equinocial”, no período do Equinócio da Primavera, em setembro, que seria o desfile das escolas de samba. Pontuei as vantagens competitivas de produzir um evento com inusitado apelo turístico e único no calendário brasileiro, com iguais características, naquela época do ano. O momento bom que vive o Estado do Amapá na captação de recursos, com exacerbado protagonismo político, é propício para debater a realização desse evento que poderia incendiar a cadeia produtiva do carnaval no segundo semestre. O que tem que se repensar, com urgência, é a realização do evento com obras em andamento, sem que haja condições ideais para sua efetivação. O espetáculo não pode sucumbir ao irracional cumprimento de meta, sacrificando sua repercussão cultural e econômica. É bom pensar nisso, ainda há tempo!