Um anseio da população brasileira é o desenvolvimento econômico do nosso país, a própria Constituição Federal normatizou que é objetivo fundamental da nossa República garantir o desenvolvimento nacional e um dos princípios da nossa ordem econômica a busca do pleno emprego.
As razões do intento acima mencionado são óbvias: dignidade da pessoa humana, já que o melhor programa social é o emprego (Ronald Reagan); diminuição da violência patrimonial (furto e roubo); melhores produtos e serviços para a sociedade; desenvolvimento das tecnologias e das nossas universidades; maior representação internacional para nosso país, posto que somente os fortes e desenvolvidos são respeitados.
De maneira suscinta, os argumentos supra justificam nossa ânsia pelo bem estar econômico. Daí sobrevém a dúvida que pode estar afligindo o caro leitor, notadamente pelo título que foi dado a esse artigo: o que tem a religião com o desenvolvimento econômico, com a geração de emprego, com a renda e demais utilidades econômicas?
A resposta é que a religião influência com muita força o desenvolvimento econômico de um país. A obra que bem revelou tal fato é a Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber, que em linhas gerais esclareceu que: foi fundamental a figura do Protestante para a formação do chamado espírito do capitalismo, evidenciando que as ideias religiosas fundamentais do protestantismo ascético e seus preceitos sobre a conduta econômica cotidiana contribuíram decisivamente com as bases do moderno sistema capitalista. Aduz que isso foi possível pela combinação do incentivo ao trabalho secular e valorização da riqueza, cujo resultado prático é o acúmulo de capital; o autor partindo de uma análise empírica de sociedades com composição religiosa mista, conclui que a maioria os indivíduos mais qualificados, bem como aqueles integrantes dos mais altos cargos das modernas empresas, são Protestantes, sendo uma possível explicação para tal fenômeno, as relações históricas relativas à propriedade inicial do capital, passada de geração em geração, e um consequente investimento diferenciado, em educação para os negócios, por parte dos detentores de tais condições. Desta forma faz uma vinculação entre desenvolvimento do sistema econômico capitalista e religião.
As ações humanas se materializam só após um juízo da mente humana, ou seja, a idealização precede o fato, nesse sentido, a religião, a moral e as narrativas históricas da nação são fundamentais para orientar e estimular as ações humanas, dai o fato dos Protestantes norte-americanos terem progredido e avançado tanto na sua condição econômica, a raiz desse avanço estava na sua religião, na sua moral cristã no seu imaginário de nação forte, temente a Deus e vocacionada para o progresso e para a riqueza.
E os incautos que não se enganem, não existe antagonismo entre riqueza e a presença de Deus, a própria Bíblia nos revela isso: a pobreza não é agradável (Pv 10.15; 14.20; 19.4); o Senhor odeia aqueles que ficam ricos por meio de injustiça (21.6; 22.16, 22-23); trabalho árduo e boas decisões levam geralmente a maior prosperidade (Pv 6.6-11; 10.4; 13.11; 14.24; 21.17, 20; 22.4, 13; 27.23-27; 28.20); o Senhor ama aqueles que são generosos para com o pobre (Pv 14.21, 31; 19.7; 28.21).
O desenvolvimento econômico se irmana com a religião como sua companheira em todas as batalhas e triunfos, como o berço de sua infância e a fonte divina de seus reclamos. Considera a religião como a salvaguarda da moralidade; e a moralidade como a melhor segurança da lei e o mais firme penhor da duração da liberdade (Alexis de Tocqueville). E não é justamente isso que os brasileiros mais reclamam dos homens públicos: ética, moralidade, respeito ao interesse da nação…
Assim, só pode o Estado Nação sobreviver através da influência que a própria sociedade exerce sobre seus membros. Em ambos os casos, a estabilidade do Estado está baseada na disciplina de seus cidadãos e na influência predominante que os costumes a as crenças exercem sobre o comportamento dos indivíduos (Raymond Aron). Como seria possível que uma sociedade escapasse da destruição se os laços morais não são fortalecidos na mesma proporção em que são relaxados os laços políticos? E o que se poderia fazer com um povo que é seu próprio senhor se não se submete à Divindade? (De la Démocratie en Amérique, Tocqueville)
Julhiano Cesar Avelar
Procurador do Estado do Amapá. Atualmente Diretor Presidente do Instituto de Terras do Estado do Amapá- AMAPA TERRAS