Os amapaenses, desta vez, parece que não ficarão confinados em escolher entre os azuis ou amarelos, como ficou conhecido o embate político entre o atual governador Waldez Góes e o grupo dos Capiberibes, liderado pelo ex-senador João Alberto. A alternância política será uma realidade. Os amapaenses já conhecem com profundidade as performances de Waldez Góes e dos Capiberibes, João e Camilo, no timão do poder. Também já conhecem, mais restrito aos macapaenses, os resultados de uma governança de Clécio Luís. Jaime Nunes ainda não teve a oportunidade de ser testado no setor público, mas sua efetividade como gestor e empreendedor no setor privado são incontestáveis.
A grande verdade é que tanto Jaime Nunes quanto Clécio Luís, até o momento, pouco disseram o que desejam fazer numa eventual cabeceira na mesa do setentrião. Fazendo ilações sobre suas correspectivas experiências de vida e política, é possível antever que Jaime Nunes trilhará por uma pauta liberal, reduzindo as ações do Estado às funções essenciais e seu trabalho será remover os empecilhos estatais ao universo do setor produtivo. Clécio Luís, de formação à esquerda, embora ultimamente, para se viabilizar politicamente, tenha andado de mãos dadas com a direita, tem pautas mais concentradas na construção de um Estado forte e intervencionista.
O embate entre Jaime Nunes e Clécio Luís é uma novidade nas teclas das urnas eletrônicas aqui na margem esquerda do Rio Amazonas, acostumada a se resumir entre dois grupos políticos que consumiram quase cem por cento da experiência desta unidade federativa como Estado. Jaime Nunes balança a bandeira do liberalismo, mostrando sua performance avassaladora no competitivo mundo dos negócios, onde venceu os empecilhos com maestria e se tornou player no mercado. Clécio Luís vem balançando a bandeira do governo possível, sem grande brilho, mas sabendo construir alianças com habilidade, capaz de angariar apoio até de quem atende do outro lado do balcão de sua ideologia e te tirar de sua mira os órgãos de controle. O desafio de ambos é grande e expressa a concepção de Durkheim sobre o Estado, segundo o qual este concentra e expressa a vida social com a específica função moral de garantir o desenvolvimento de cada indivíduo, organizando seu ideário de vida. Nossa experiência, como diria Osmar Júnior, aqui do outro lado do Brasil, está nesse estágio