No primeiro jogo do Brasil na Copa do Qatar, Neymar, como sempre, foi caçado covardemente pelos seus desleais adversários com a corriqueira complacência da arbitragem quando a vítima das violentas botinadas é o polêmico jogador brasileiro. O craque saiu contundido e está fora dos jogos da primeira fase. Em condições normais a saída desse importante jogador seria motivo de lamentações por todo torcedor brasileiro. Só que não foi. Neymar foi vítima daquilo que seu ídolo politico disseminou no Brasil desde sua eleição em 2018: o ódio incondicional ao adversário. Torcedores contrários, chegaram a desejar uma contusão mais grave ao jogador, como, por exemplo, uma fratura na perna, o que revela a estupidez do ambiente político brasileiro.
É de se lamentar tudo isso. Não se pode tolerar a intolerância política, sob qualquer pretexto, mesmo que a vítima seja simpatizante do criador e cérebro do ódio como instrumento de persuasão, no caso, o quase ex-presidente. Os vencedores da proposta de paz no ambiente politico brasileiro não podem fraquejar e produzir aquilo que tanto repudiaram a ponto de conduzirem a maioria do eleitorado a limpar a área de elementos nocivos ao meio social. O ódio não pode ser resposta ao ódio, porque é necessário se preocupar com os mortos, mesmo não sendo coveiro.
O episódio envolvendo o polêmico craque Neymar é um sinal de alerta aos vencedores na eleição para que não titubeiem em semear a paz e eliminar o ódio. A extrema-direita está na porta dos quarteis, em longos e obstinados serões, procurando, a todo custo, dar sobrevida à ideologia da intolerância, farejando fatos que possam justificar suas lutas. A paixão política não pode suplantar o ideário de uma sociedade verdadeiramente democrática, plural e tolerante. Como dizia Nelson Rodrigues – com raro senso de acuidade humanística – “nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política. É a única paixão sem grandeza, a única que é capaz de imbecilizar o homem.”