O Município de Macapá foi turbinado de receitas neste ano, fruto de uma poderosa articulação parlamentar junto ao Governo Federal. Deduz-se, pela clareza da manobra, que o interesse de alocar recursos para o município de Macapá pelos parlamentares aliados era construir uma imagem de competência da gestão do prefeito Clécio, para gerar capital político necessário para indicar seu sucessor. A ideia era transformar Macapá num canteiro de obras, como se fosse fruto de uma gestão eficiente, que precisava ter continuidade com um sucessor indicado pelo atual prefeito. A estratégia política é extraordinária, afinal, a maioria dos eleitores não atentará que o ingresso de recursos federais no município é circunstancial, fruto de acordo político com a específica finalidade de eleger o sucessor do atual mandatário municipal.
É necessário que o eleitor compreenda as estratégias políticas para não fazer uma escolha baseada em elementos contingenciais e momentâneos. O prefeito eleito, por exemplo, não terá a maravilhosa experiência do atual prefeito de contar com um caminhão de recursos federais jogados com celeridade nos cofres municipais por articulação parlamentar. Na próxima legislatura do senado federal não teremos um presidente amapaense, pelo menos é o que se desenha até agora. Assim sendo, é bom que os candidatos sejam avaliados para uma proposta administrativa assentada nos parcos recursos do tesouro municipal que mal cobrem as despesas com pessoal.
Os candidatos Furlan (23) e Josiel (25) tem experiências de vida diferentes. Furlan é médico, político e empresário. Josiel é empresário e político. Ambos já foram para o escrutínio popular, um, como deputado estadual, com a bandeira da saúde; outro, como suplente de senador, sempre se articulando nos bastidores. O município de Macapá precisa de um gestor que forme um time de colaboradores que não desperdice receita, que otimize os investimentos e que tenha uma visão de desenvolvimento compatível com sua realidade, requisitos básicos para uma cidade que se pretende próspera.
A tomada de decisão final do eleitor amapaense tem que se assentar na firmeza das propostas apresentadas pelos candidatos, sem levar em consideração as estratégias políticas que turbinam artificialmente uma gestão pública mediana para gerar capital para indicação sucessória e as alianças construídas com nítidos conflitos ideológicos, que sacrificam a compreensão do eleitor, principal destinatário do jogo democrático. Há de se esperar que o eleitor faça sua escolha pensando no bem da cidade, no seu bem-estar e na construção de uma sociedade justa e fraterna. Aguardemos!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)
Acesse: https://idam.com.br