Erasmo de Roterdã afirmava ser mérito da loucura haver no mundo elos que liguem pessoas a seres perfeitamente imperfeitos e defeituosos. Essa lição é atemporal, transcende ao tempo do insigne teólogo, pois se observa ainda hoje, a ocorrência desse fenômeno, sobretudo no plano político. No Brasil, por exemplo, a grosseria, o destempero, a falta de educação, a rudeza, a preguiça, a falta de metas, e tantas outras imperfeições humanas, passaram a ser vistas como virtudes de governantes e não como gargalos impeditivos de uma boa gestão. O pior, é que há uma militância atenta para que essas práticas sejam aceitas como absolutamente normais e virtuosas
O Brasil entra no ano eleitoral com a mesma digladiação louca entre a ciência e sua negação com que terminou o ano predecessor no que se refere ao enfrentamento da pandemia. Observa-se a claque da loucura na mais absoluta e atenta militância. A proposta política para o enfrentamento desse mal é colocar no debate nacional a inconciliável aliança entre a balbúrdia e o progresso. Não há esperança de haver qualquer sinal de progresso com o triunfo da loucura. Ou o país se reconcilia coma sanidade ou caminhará em linha reta para o precipício do retrocesso.
O choque para o Brasil sair do malévolo espectro da loucura é se reconciliar sem titubeios com a sanidade. A inflação, o desemprego, o retrocesso no setor produtivo e o encolhimento do produto interno bruto são os estímulos necessários para essa virada de chave. O país não pode se contorcer em dores no debate insosso entre pessoas. O duelo necessário é no campo das ideias e proposições para que país se desvencilhe da letargia no desenvolvimento e retome o caminho do crescimento, do combate à miséria e da oferta de emprego sem chamar a loucura de rainha ou madame como ironizou Erasmo de Roterdã na caprichosa obra.