Se o assunto então, é crime, homicídio, violência, drogas e outras coisas do gênero, pouco importa, desde que não lhes atinja o seio familiar. É bem nosso acreditar, que a desgraça e o mau, só chegam à família dos outros ou no máximo ao vizinho. Somente filhos do alheio, sempre estarão ao alcance de tais desditas, os nossos, jamais, nunca! Até que acontece, e elas batem à nossa porta.
Segurança social e combate à violência no Brasil, criam tantos discursos, que se estabelece a ilusão, de que todos as entendem ao exagero. Extremamente complexas, não constrangem “especialistas”, que sempre aparecem sem se acautelar ao dar palpites, sempre achando quem os escute. Talvez bem por isso, estejamos a andar em círculos, sem encontrarmos melhores caminhos e projetos para novas soluções.
No início da reconstrução do Estado brasileiro em 1985, quando surgia uma nova constituição, um assanhado deputado do Rio de Janeiro, queria a qualquer custo à instalação da pena de morte no país. Nenhum sensato e ponderado arrazoado amenizava a radical ideia que tinha. Estava bem convencido, há 18 anos atrás, que a pena capital seria o remédio único para deter o avanço forte da violência e desestabilização interna. Chegou a se cogitar remeter a decisão de sua aplicação, aos estados da federação. A ideia não prosperou, ficou tudo como era e do jeito que estava apesar de sombrias projeções quanto ao futuro. Embora não sendo partidário de pena capital, reconheço ter sido a última ideia inovadora que se teve no Brasil para o setor. Depois disso, só bobagem!!!
A intenção que parece mais comum é responsabilizar nossos aparatos de segurança, taxando-os de ineptos e com injúria, de totalmente corruptos, sem nenhuma observação ao desinteresse e descaso político, para equações reais.
Há pouco, apresentaram como solução mágica, a unificações das polícias. Novidade moderna que seria única, se não fosse uma grandíssima besteira. Esquecem sem dúvida, que, de similaridades, as polícias só têm o nome. No mais, tem funções totalmente diferentes.
As polícias civis estaduais, únicas processantes e com capacidade para prender alguém, tem ido devagar, quase parando, cerceadas pela falta de recursos e meios ao exercício de suas funções. Policiais se constrangem socialmente, pelos baixos salários recebidos e com a carência profissional exibida.
As polícias militares, no papel maior de força de segurança preventiva e ostensiva, foram apunhaladas pelo vírus da política nacional e hoje, vulneráveis, vão, lamentável e vagarosamente, sendo corroídas internamente, por inadequado código de ética que tem regido seus quadros e comportamento. Um instrumento não muito ajustável aos objetivos de sua existência e a uma força armada.
Outras forças e fiscais da legalidade têm feito das redes de televisão e imprensa geral, fiéis escudeiros, substituindo os ritos, processual e judiciário por execração pública, que atropelam a justiça e que provocam revoltas. Um caminho perigoso esse de teatro com a lei.
Como agravante, em toda discussão, têm faltado sociólogos, educadores-professores e melhores bancos de escola, meios mais verdadeiros de se deter à operosidade das usinas fabricantes da marginalidade. O Brasil, mais que renda, precisa equilibrar sua educação e consequente cultura, uma vez que tudo é decorrente delas. Temos criminosamente ignorado crianças em ruas, talvez por também, não serem nossos filhos e não nos importarmos muito por estarem ali, o que só acontece quando elas nos trazem a violência.
O problema maior, é que um bom projeto de ordem pública, com toda a abrangência necessária, mesmo com recordes de implantação, leva anos ou praticamente uma geração. E isso, político daqui não faz, por ser algo, que não se traduz nos imediatos votos. É complicado…
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.