É bom que se frise, desde logo, que a banalização do exercício dos cargos públicos não teve seu marco inicial com o farofaço de Bolsonaro. Outros agentes públicos e políticos também já “arrotaram na farofa”, como disse o presidente. Já se viu servidor público – com a finalidade de atender recomendações “técnicas” de seus assessores de marketing – aparecer ingerindo bebida alcoólica e embriagado, comendo sem observância de comezinhas regras de higiene, usar roupas incompatíveis com o cargo, somente para parecer simples, dançando como se estivesse em um ambiente em que o respeito estivesse ausente. Enfim, essas práticas – executadas para um propósito de marketing – estão fazendo com que a sociedade perca de vez o respeito pelos agentes públicos.
De outro lado, as bolhas que se dizem defensoras da moralidade e transparência públicas, também, paradoxalmente, têm contribuído para o desgaste da imagem do servidor público. Essas hordas de falsos moralistas ficam bisbilhotando portais da transparência para saber o que os agentes públicos, detentores de múnus político, comem, quanto gastam de gasolina, número de funcionários, enfim, tudo para se usar como instrumento de avacalhação pública. Com isso, agentes políticos, erradamente, têm renunciado direitos do exercício do cargo para não terem a imagem destruída. Quantas residências oficiais de governadores, prefeitos e outras autoridades, não têm sido ocupadas para não serem utilizadas como ferramentas de assassinatos de reputação desses servidores?
Sucede que – como tudo na vida – a estratégia da imagem da simplicidade não pode ser utilizada ao extremo. Tudo precisa de equilíbrio. O farofaço do presidente rumina nesse universo da insensatez. Meia dúzia de assessores, dentre eles o próprio filho,” trabalharam” para fazer do presidente uma pessoa despida da higiene elementar ao fazer uma refeição, denotando imundície, má educação e repudiáveis hábitos grotescos, ao invés de simples. Diferentemente do que pensam os marqueteiros “pés sujos”, a sociedade quer agentes públicos observando os princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Ninguém elege um presidente para vê-lo embriagado, sujo, mal educado, tosco, deselegante, inconveniente. Para isso, sem necessidade de eleição, o cidadão já tem as vítimas do sistema. É preciso mais respeito com o exercício da função pública. Como disse Caetano, para rebater um desafeto, às vezes é preciso enxergar e amar a elegância sutil de Bobô!