Se antes era possível ouvir um comentarista de política internacional trabalhar com afinco para que suas análises não descambassem para o olhar parcial dos fatos, hoje, a primeira coisa que se percebe é o lado para o qual a análise se orienta. A imprensa – antes tão preocupada em revelar eqüidistância dos fatos jornalísticos – hoje trabalha para deixar claro de que lado está. Os comentaristas políticos são os mais afetados com essa nova realidade. Seus textos ou falas tem que escandir suas preferências como vassalos cegos da ordem do patrão. Os de estilos moderadores são o que estão na alça de mira do desemprego. Há uma caçada violenta direcionada a esses quadros cujo resultado final será a extinção.
A era digital é grande promotora desse novo comportamento. A democratização das mídias alternativas deu voz a tudo e a todos. Esse modelo permitiu a participação efetiva de todos no processo sem qualquer filtro. Há grandes ícones no debate – de intelectuais a pesquisadores sérios, mas há, também, a escória que envergonha e não tem nada a perder. Assim, enquanto as pautas são debatidas pelos protagonistas sérios, do outro lado a alcatéia irresponsável vai produzindo o lixo que dilacera a moral e põe tudo no mais baixo patamar. Dentro desse universo caótico os debatedores sérios são tragados pela realidade que os leva à extinção.
Em artigo bastante interessante intitulado “O que significa Democratização da Comunicação? Limites e possibilidades de enquadramentos teóricos a partir de modelos de democracia”, Juliano Mendonça e Chalini Torquato, já diziam que o controle sobre o fluxo de informação é uma variável relevante nas relações de poder e que isso interferiria na formação de preferências e por conseguinte no comportamento estratégico de indivíduos e instituições. Ora, na era digital esse pensamento é chave para que as mídias tradicionais se sintonizem com a comunicação da massa produzida sem filtros, para poder sobreviver ou permanecer como força hegemônica. Com isso os moderadores da comunicação estão fadados ao fim, porque, de regra, estão sempre colidindo com o pensamento do andar de baixo.