É na simplicidade, na cordialidade paraurara, no abraço fraternal do compadrio, no bocejo escancarado, morto de preguiça, o caiçara esticado na rede durante a sesta, com o bucho cheio de maniçoba e camarão, que conhecidos meus dizem: “esse cara é um caboclo Pai d’ Égua!”
Ao conviver com a nata sociopolítico econômica belenense, cuja inspiração eurocêntrica no início do século XIX nos fez bairrista, parecendo ter o rei na barriga (diziam os maldosos que muitos não tinham nem no “c* que periquito roa”), sem querer, é claro, influenciado pelo meio, a gente acaba incorporando o ar da clássica fina estampa burguesa, porém meus compadres, só para me atazanar, dirão rindo que sim; sou um legítimo paraense papa chibé, que só quer ser, cheio de pabulagem, mas que esse Mocorongo nascido às margens do Tapajós é um “burguês caboclo”, filho do sincretismo entre sagrado e o profano, do clássico ao popular, de sabor agridoce, gente boa e que na hora H sempre esteve pronto para lhes ajudar, nem que seja para jogar uma boa conversa fora, meu compadre.