O presidente Bolsonaro é pródigo em mentiras, que com o avanço tecnológico ganhou a pomposa denominação de fake news. Um relatório da organização não governamental Artigo 19, que atua na defesa da liberdade de expressão e que tem sede em nove países, sustenta que o presidente Bolsonaro emitiu, em 2020, 1.682 declarações falsas ou enganosas, uma média de quatro por dia. As informações integram o “Relatório Global de Expressão em 2021”, com dados de 161 países. As mentiras de Bolsonaro revelam um presidente que faz política com o jogo sujo das fake news. Os dados também evidenciam que o chefe da Nação brasileira normalmente é pego na mentira, ou seja, é um péssimo mentiroso.
É sabido que o presidente Bolsonaro tem a piscina mental rasa quanto a qualquer assunto da Administração Pública. Cinco minutos para o presidente discorrer sobre qualquer assunto que envolva a gestão pública parece uma eternidade. Logo desvia o assunto para seus adversários. Com relação ao assunto levantado de que tinha provas concretas de fraude nas urnas eletrônicas, sabe-se que é uma estratégia utilizada para manter sua militância acesa. Para tanto, caiu na esparrela de acreditar em qualquer sinal que seus assessores e colaboradores mandavam acerca do assunto. Ninguém, contudo, imaginava que o presidente Bolsonaro iria sustentar a cascata até as últimas consequências, marcando, inclusive, dia e hora para apresentar provas. Sequer atentou para a gravidade acusação que fazia e o conflito entre poderes que poderia causar.
Recentemente a revista Scientific American mencionou o trabalho de uma equipe de pesquisadores, liderados pelo psicólogo holandês Aldert Vrij, da Universidade de Portsmouth, que listou características típicas de mentirosos convincentes para ajudar a identificá-los. É um trabalho elogiável sobre o tema e agradou os estudiosos do assunto. Pena que não será preciso para aplicar ao soturno caso do presidente Bolsonaro, afinal, com todo esforço, Bolsonaro é um cascateiro de terceira categoria, daquele que marca dia e hora para dizer que estava mentindo. Seria, certamente, motivo de piada nas rodas de conversa da periferia.