Resolvi escrever sobre o óbvio neste dia iluminado desde o centro do Universo.
É que o óbvio nem sempre é tão óbvio e raramente é claro o suficiente para se fazer legível aos olhos eclipsados por mentiras convenientes ou reluzentes, conceitos e certezas oriundas do comodismo, das suposições caquéticas ou arquétipas, dos preconceitos raivosos florescentes em exposição egóicas, dos nebulosos efeitos dos ódios e medos distribuídos “a rodo” na roda das gerações sem respeitar gestações de flores dispersas, lírios puros dos jardins do Universo.
Perguntareis com razão e justa causa – “és tu dona da Verdade?”. Não, mas assim como o menino acredito que ela, a Verdade, ilumina caminhos, picadas, trilhas, ruas, vielas, autoestradas, além das trans, seja transpantaneira, transandina; liberta; estampa sorrisos nos rostos e faz os olhos brilharem; abre clareiras nas matas escuras e faz nascer oásis nos desertos para saciar o sedento peregrino com gotas de águas cristalinas.
Mas, antes do Menino Sem-Teto, já nascera no Nepal, outro menino amante da Verdade. Este, por bens e poder materiais abençoado, abandonou não apenas o teto dos palácios e o conforto da “bolha “onde seu pai o mantinha para não ver os sofrimentos da humanidade. Sofrimentos oriundos da luta para sobreviver e, no final, morrer. Ele queria saber. Saber de si, do velho, do faminto, do doente, do desolado e do sem-teto e sem estrada. Queria saber da razão de viver. Viver. Viver nos palácios ou a sombra das árvores… Chamou-se Sidharta, chamam-no de Buda – O Iluminado.
E o Menino Sem-Teto chegou alguns séculos depois, sendo por Isaías profetizado, por uma estrela anunciado; mas, por não ostentar riquezas e despertar a inveja nascida da ignorância dos que não buscaram Saber, pois não viera ele disputar reinos deste mundo, logo não precisavam os “abestados” temer perder o poder, o fato é que ele não foi reconhecido pela sua comunidade. Ocultos e disfarçados, foram os Três Reis Magos que a sua real grandeza presenciaram, presentearam e homenagearam, diante dele se prostaram e se alegraram…
E o Menino Sem-Teto, sem um país para chamar de seu, seu povo era dominado pelo Império Romano, sem um título nobiliárquico nem hierárquico – este menino nasceu e o chamaram de Jesus. Jesus de Nazaré, filho de Maria e José. Este menino deixou um legado para toda a humanidade. Ele amava a Verdade – “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”. Entre os 12 e 30 anos no Egito se isolou em busca de Saber.
E o menino Sem-Teto, sem um país para chamar de seu, voltou para sua Galileia e durante três anos esparramou saberes e deixou seu ensinamento máximo, que, uma vez vivido, liberta o Ser de todas as dores e obstáculos: “Ame ao seu próximo como a SI mesmo”. “Ide e amai-vos como Eu vos amei”. Simples assim. E é NATAL.