Esta semana o Amapá completou quatro meses de uma experiência fantástica que mudou a vida e o repertório comportamental do ser humano; e lançou um desafio ao homem do século XXI – sobreviver em meio a uma pandemia.
Cronologicamente saímos do dia 19 de março, quando atividades consideradas não essenciais foram suspensas para limitar a circulação de pessoas. Logo no dia 20 de março, o primeiro caso de coronavírus do Amapá foi registrado. Em 4 de abril, a primeira morte foi confirmada na capital, Macapá; e no dia 30 de abril, o Amapá registrava a maior incidência de casos de COVID-19 por 1 milhão de habitantes em todo país.
O mundo, diante de um fato dramático, só visto em 1918 na pandemia da gripe espanhola que infectou mais de um quarto da população mundial.
Do Oriente para o Ocidente, o inimigo invisível chegou impondo-nos uma nova realidade, provocando dor e sofrimento, mas acima de tudo, nos proporcionando também uma reflexão sobre o verdadeiro sentido da vida, gerando uma oportunidade para um novo momento que pode ser de regeneração espiritual, reforma íntima e ressignificação de nossas atitudes.
Eu alimento a convicção de que a pandemia é uma chance de ascensão espiritual para todos, uma pausa necessária para que nós possamos nos reconectar com o “quem somos, de onde viemos e para onde vamos”? Questionamentos que fazemos, quando nos encontramos entre os nossos sonhos e a realidade. É, na verdade, uma oportunidade de cada um olhar para si e para os interesses coletivos – lembrando que “o mal é um bem mal interpretado”!
O apóstolo Paulo diz em suas cartas aos coríntios, 4:16, que: “ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova a cada dia” . Cada experiência nos deixa o valor que nos corresponde e tudo que nos acontece tem uma razão de ser.
Em isolamento social, utilizando máscara e álcool em gel, como as únicas armas em nossas mãos para combater o novo vírus, passamos por um rigoroso processo de desmaterialização, e descobrimos que agora “o menos é mais” – Mais temperança, menos arrogância; mais humildade, menos vaidade; mais paciência, menos intolerância.
A expressão “menos é mais” é bastante utilizada quando o assunto é o minimalismo, um estilo de vida que prega que se tenha apenas o essencial para viver, sem excessos. Basicamente, “menos é mais”, quando os excessos são eliminados e sua ausência abre espaços para novas energias. Isso se torna ainda mais verdadeiro, quando se refere a coisas que insistimos em conservar e que em nada agregam em nossas vidas. E para sabermos o que está em excesso, é necessário descobrir nossas prioridades e,consequentemente, o que nos é indispensável. Para isso é importante que nos conectemos com a espiritualidade!
Sobre que lição devemos aprender com a pandemia, vamos refletir sobre uma orientação espiritual que diz: “O que está ocorrendo neste momento faz parte de um processo de regeneração do planeta e reflete a grande necessidade de mudança no estilo de vida humana. O planeta está trabalhando na limpeza que há tempo as profecias falavam, não apenas em si, mas nas diversas camadas existenciais ainda tão pouco conhecidas, devido à arbitrariedade da maioria em exigir e fixar-se na ilusão de que a vida seja tão somente material”.
E como diz o psicólogo espírita e humanista Samuel Gomes: “A humanidade, em sua maioria, precisa repensar a vida, desenvolver sua consciência mais lúcida e deixar o estado evolutivo ainda tão identificado com a realidade material”.
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.