Ao assumir o poder democraticamente, a bem da “deselitização” do ensino superior, projeto nefasto de extermínio da intelectualidade neoliberal nas universidades federais, mediante o ingresso maciço e facilitado de alunos da “nova classe média forjada pela esquerda, esta levou a cabo para dentro das universidades sem intento para a popularização do saber, o “empoderamento dos excluídos”, facilitando o ingresso de uma massa de gente despreparada desde a base do ensino e com isso, os hábitos e vícios da pobreza humana de toda sorte; o trauma social é o maior deles.
O choque sócio-político-econômico entre pobres e ricos dentro das universidade foi inevitável; tornou-se uma espécie de MMA universitário.
Se por um lado já conhecíamos o aluno “rico” com todos os seus graves defeitos de classe, com o ingresso do aluno pobre nas universidades públicas, envaidecido por suas conquistas obtidas “de bandeja”, entrando lá pela porta do dos fundos através do Sistema de Cotas como se fora um portal da justiça social, este tendo alcançando o poder, revelou-se tão autoritário e soberbo, sem lastro ético e moral, por vezes, tão violento verbalmente quanto o primeiro, cunhando-o sistematicamente de “racista”, “fascista”, “homofóbico” e outros deméritos, leviandades, inverdades ou não, agravado pelas baixa intelectualidade e educação doméstica e cívica, carregado de ressentimento e sentimento atávicos de “injustiçado”, segundo ele, perpetrado pela sociedade e reproduzido no academicismo e intelectualidade burgueses do ensino superior.
Da noite para o dia, as outrora sagradas salas de aula tornaram-se permanentes “assembleias de discussão democrática” leia-se, socialista; docentes e discentes, doutrinários agentes do aparato comunistas com frequente comportamento policialesco e intimidatório contra aqueles que ousem discordar da ampla e confusa moderna agenda neocomunista.
O seu rancor, também, é inconsciente e pode ser fruto de suas crônicas frustrações por impotência e fracasso pessoal na sua difícil vida, como válvula de escape, lamentavelmente, atribuindo seu insucesso falta de oportunidades às elites e não, à sua própria limitação, cuja cegueira ideológica o impede de fazer o correto juízo crítico.
Dessa forma, a universidade pública tornou-se palco de disputa de poder político que a implode impedindo-a de realizar o seu papel que é contribuir efetivamente para o progresso da nação, o que menos importa a uma instituição de ensino superior, a casa do saber.
Acredito que o aluno pobre tenha sido iludido ou deixou-se iludir pela esquerda; supostamente, “para evitar mais traumas emocionais”, foi aprovado, passado de série a toque de caixa e como atalho, alçado ao ensino superior sem ter nenhuma condição para tal e será sempre vítima de mais discriminação; terá que provar mais uma vez que é capaz de alcançar o sucesso pessoal sem a mãozinha de ninguém, salvo contrário, ele mesmo se sentirá, no íntimo, subvalorizado.
A saída para o impasse é complexa, mas seguramente, a justiça social não pode nem deve ser feita por decretos, baseados no critério de reparações históricas para etnias, raças e minorias.
Paulo Rebelo
Médico e poeta