No processo de construção da informação, tudo começa no boato, matéria prima daquilo que poderá ou não se tornar um fato. No caso de determinadas operações, a mitomania de alguns acusadores chega como verdade absoluta para diversos setores da imprensa que nem sempre têm o cuidado de ouvir e saber “o que dizem os citados”, fazendo-os vítimas do Tribunal da mídia, antes mesmo de serem julgados pela Justiça, conforme o que está estabelecido no art. 5°, parágrafo LVII da constituição: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Esta é a lei dos “homens”!
A lei de Deus está formulada nos 10 mandamentos, revelada no Monte Sinai. E a lei civil instituída por Moisés, adequada aos costumes e ao caráter do povo daquela época e que é modificada com o tempo. No tocante a lei Mosaica, Jesus veio desenvolvê-la, aperfeiçoando-a e adequando-a ao grau de desenvolvimento dos homens, modificando-a profundamente, tanto no fundo, como na forma.
Combatendo constantemente os abusos das práticas exteriores e as interpretações erradas. E não poderia fazer nela, uma transformação mais radical do que a reduzindo com estas palavras: “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Amar ao próximo significa se colocar no lugar do outro!
Digo sempre o seguinte: “quando você quiser falar, se coloque no lugar de quem está ouvindo; e quando você quiser julgar, se coloque no lugar de quem está sendo acusado”. Daí a importância de ouvir os dois lados, porquanto é no fogo cruzado do contraditório que se estabelece a verdade real, e somente num ambiente democrático todos são dignos dessa solicitude.
Nos dias atuais, observamos que o repertório comportamental da sociedade é o resultado do sistema midiático. O homem pós-moderno é submetido diariamente à uma carga pesada de informações, dispondo de pouco tempo para fazer análise crítica de conteúdos publicados, que nem sempre traduzem o sentimento republicano. Há sempre um interesse por trás da notícia!
Para mim, a arte de informar está na fórmula que adotei como Mantra durante mais de três décadas de comunicação, principalmente no rádio: “elogiar sem bajular e criticar sem ofender”, ouvindo sempre as duas partes, permitindo ao ouvinte tirar suas próprias conclusões. É preciso ouvir o ausente que não está presente para se defender!
Graças à imprensa, o público é iniciado nas ideias novas, verdadeiras ou não, e o cidadão é levado a se embalar na esperança de que é preciso tomar parte na luta e ser protagonista de transformação social. Isso é fenomenal!
Mas, como diz a letra da canção: “de quem é a razão, quando a razão erra?”. Homens e mulheres, ao julgarem os outros erram, embora muitos tenham imensa dificuldade de reconhecer isso. E como diz o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Melo, se referindo aos erros judiciais: “ninguém devolve ao cidadão a liberdade perdida!”.
Edinho Duarte
Jornalista, Pedagogo e ex-deputado estadual.